Conseguir emprego em um mercado de trabalho cada vez mais enxuto está longe de ser uma questão de sorte. A caça da sonhada vaga carece de uma boa estratégia para evitar desperdício de tempo e até mesmo perda financeira – cuidado fundamental para quem já está descapitalizado.

Atirar para todos os lados, nem pensar, vai logo avisando a psicóloga Maria Reggiani, sócia-fundadora da Reggiani Hunting Consultores Associados, empresa de Belo Horizonte especializada em recrutamento e seleção de executivos. “Saber o que se procura é muito importante”, orienta. 

Identificar os objetivos, colocando-os no papel, é um bom começo. A partir daí, fica mais fácil traçar um plano de busca. “A empresa onde desejo trabalhar anuncia vagas? Em quais sites devo me cadastrar para tornar-me um candidato?”, ensina a headhunter. 

"Torne a busca pelo trabalho um trabalho. Ou seja, se você trabalhava oito horas e agora está desempregado, porque não continuar trabalhando oito horas por dia para alcançar o objetivo de conseguir uma nova ocupação?” - Raquel Furtado, doutora em administração, professora universitária e coach

Vender o próprio peixe de maneira inteligente e fazer propaganda das habilidades que tem é a forma mais interessante para o candidato demonstrar – além de interesse no posto – conhecimento. Nem pense em apelar ao discurso do “estou disposto a qualquer coisa” e “aceito qualquer salário”. 

E nada de desespero! “É preciso estar ciente de que o empregador vai contratar quem se mostra mais capaz de ajudar a atingir as metas e não o que está pedindo ‘pelo amor de Deus’ para ficar com a vaga”, alerta a especialista.

O momento é também uma oportunidade e tanto para reinventar-se. Investir em especializações e dar um upgrade em um segundo ou até terceiro idioma fazem diferença na hora de um desempate. Mas nada de raspar as economias. "O candidato pode até se comprometer financeiramente, mas essa escolha deve ser bem feita e consciente. O investimento deve realmente fazer a diferença”, explica a coach Raquel Furtado. 

Outra dica da coach é acompanhar tendências e necessidades do mercado para ajustar o currículo. “Algumas áreas e profissões são mais valorizadas do que outras, o que varia ao longo do tempo”.

‘Check-up’ permite fazer uma oportuna revisão da carreira

A maratona em busca por uma nova oportunidade é também uma boa hora para fazer um check-up profissional. A ideia é que o candidato examine o próprio desempenho diante da mesa do trabalho e seja capaz de detectar pontos falhos, deslizes e até vislumbrar um caminho novo.

Na opinião da master coach Renata Lemos, diretora da unidade Belo Horizonte do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), a autoavaliação pode ser o que faltava, inclusive, para despertar grandes talentos. “Acredito que esses momentos difíceis são também uma boa oportunidade de autoconhecimento. Quando pensamos de forma mais clara, conseguimos ser mais assertivos, seja para buscar um emprego, seja para abrir um negócio”, afirma. 

Uma vez detectados problemas, criar um plano de ação para corrigi-los, aprimorando o que for necessário, é fundamental. Os resultados dessa autoanálise vão desde a redução das chances de desligamento ao aumento da empregabilidade e, claro, da autoestima. 

Manter a autoconfiança é outro “truque” ensinado pela master coach. “A partir do momento em que a pessoa entende e identifica suas potencialidades, tudo fica mais fácil. Somente se conhecendo é que saberão o que querem para a própria vida e onde desejam chegar”, reforça. 

Segundo ela, o mercado mudou e as empresas têm exigido cada vez mais profissionais engajados e comprometidos. O famoso “vestir a camisa” nunca esteve tão em alta. 

“Prepare-se para perguntas que soem estranhas. Elas podem ser feitas para testar o raciocínio lógico. O candidato também ganha pontos na entrevista se fizer perguntas que mostrem pesquisa sobre a empresa e interesse pela vaga” - Sara Bambirra, especialista em empregabilidade, consultora em gestão de pessoas e coach de carreira 

Realidade Nova

Pé no chão sobre a nova realidade do mercado é fundamental. Ter em mente, por exemplo, que o novo salário não fará frente aos rendimentos antigos é reconhecer que o perfil profissional hoje em dia também é outro. Para a coach Raquel Furtado, de BH, o maior erro dos candidatos é tentar mascarar a realidade. 

“A economia está complicada mesmo e a busca pelo emprego, mais difícil. Por isso, é importante colocar na cabeça que, provavelmente, a recolocação vai demorar, e isso não significa que você não tenha valor”, diz. Mirar somente vagas na mesma posição que ocupava é outra estratégia “furada”, acrescenta Raquel Furtado. “Às vezes, é preciso dar um passo para trás”. 

Segmentos que vão bombar em 2017

– Compliance. Derivada do verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com as regras, é o conjunto de ferramentas usadas para o cumprimento de normas em geral. Profissionais desse segmento, tais como advogados, gestores e gerentes, trabalham para garantir a organização das normas e a eliminação de riscos internos e operacionais. 
– Marketing digital. Tem como intuito potencializar, otimizar, comercializar produtos e conquistar clientes por meio da promoção de serviços. 
 Gestão operacional. Profissionais têm olhar estratégico e atuam no funcionamento cotidiano de pequenas empresas, a fim de mantê-las sempre em ordem e com os serviços bem executados. 
Área tributária. Empresas de diversos segmentos vêm dando mais atenção aos setores tributários, tornando-os mais estratégicos do que operacionais. A necessidade vem da queda de receita externa e da necessidade de buscar um olhar mais organizado internamente. 

Editoria de Arte
Garantir recolocação profissional num mercado enxuto é coisa de profissional