A Volkswagen informou que 17 mil unidades da Amarok vendidas no Brasil estão equipadas com o software que frauda testes de emissão em veículos movidos a diesel.
Os primeiros casos de fraude foram revelados nos EUA, no mês passado, e podem atingir até 11 milhões de veículos no mundo todo, em um escândalo que derrubou o presidente-executivo da montadora alemã.

Segundo a empresa, o equipamento que otimiza artificialmente os números medidos em laboratórios para se adequar à lei está em modelos "2011 e parcialmente 2012" da Amarok, totalizando 17.057 unidades.

Ainda de acordo com a empresa, "tecnicamente, a aplicação desse software não afeta a segurança nem a funcionalidade do veículo". Em comunicado, a Volkswagen diz que uma atualização desse programa para corrigir o distúrbio está em desenvolvimento na Alemanha.

Segundo ela, a partir do primeiro trimestre do ano que vem, os proprietários das unidades envolvidas serão convocados para que o problema seja solucionado.
Mais detalhes sobre os veículos convocados para conserto podem ser obtidos pelo site www.vw.com.br ou pelo telefone 0800 019 5775.

A picape deve ser a única chamada para recall no Brasil pelos mesmos problemas descobertos no exterior. No país, o único modelo com motorização semelhante à envolvida na fraude global é a Amarok, que é produzida na Argentina e tem motor 2.0 turbodiesel. No fim do mês passado, o Ibama informou que abriu uma investigação para saber se a fraude também ocorreu no mercado brasileiro.

Entenda o caso
Segundo investigação do governo dos Estados Unidos, a empresa instalou um software programado para detectar quando o veículo está passando por um teste oficial de emissões e para ativar o sistema pleno de controle de emissões somente durante a análise.

Os controles são desativados em situações de uso normal dos veículos, nas quais eles poluem muito mais do que o fabricante reporta. Depois da revelação, a companhia alemã reconheceu que a fraude não ficou restrita ao mercado norte-americano. Países como Reino Unido, França e Coreia do Sul também abriram investigações sobre o caso.

Com a descoberta do esquema fraudulento, Martin Winterkorn renunciou à presidência-executiva da montadora. Ele foi substituído no fim de setembro por Matthias Müller, 62, que estava no comando da Porsche, que também pertence ao grupo Volkswagen.