O aumento dos custos, que obrigou o produtor a rever os preços de produção e sua margem de lucro, bem como adequá-los em função da redução do poder de compra da população – que sofre com a crise econômica –, foi uma das grandes preocupações do homem do campo em 2015.
A alta do dólar onerou os insumos, sementes, fertilizantes, adubos, defensivos e o diesel. Já a falta de chuva, que obrigou a utilização das termoelétricas – que são mais caras - fez subir os preços da energia elétrica.

A energia tornou-se mais cara, mas para o meio rural, que tem até benefícios para utilização em irrigação e aquicultura, os sucessivos aumentos da tarifa em 2015 influenciaram diretamente os custos para o produtor. Todos os setores amargaram o peso alto desse insumo, mas os que mais sentiram esse impacto foram os produtores que utilizam a energia elétrica intensivamente, entre eles a avicultura, a produção de leite e a fruticultura irrigada no Norte do estado.

Leite

Na cadeia leiteira, na comparação com 2014, o aumento do custo de produção foi de 14,2%, segundo análise feita por técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg). Os principais itens que impactaram nessa conta, além da mão de obra, foram lubrificantes, concentrados proteicos e energéticos, combustíveis (+7,9%), suplemento mineral (+6,6%), fertilizantes (+2,7%), encarecidos pela alta taxa cambial.

As adversidades climáticas também pesaram nesta conta, prejudicando a produção de alimentos para o rebanho e encarecendo a ração. Os preços do leite aos produtores não aumentaram proporcionalmente aos custos devido à estagnação do consumo interno e à manutenção do preço do leite em pó no mercado internacional em patamares semelhantes aos valores realizados no final do ano passado (US$ 2.270/ton).

A produção estimada de leite no Brasil para 2015 é de 36 bilhões de litros, um crescimento de 2% em relação a 2014. Para Minas Gerais, estima-se uma produção de 9,6 bilhões de litros, crescimento de 2,2% em relação a 2014. O Valor Bruto de Produção (VBP) estimado é de R$ 8,01 bilhões, faturamento tecnicamente igual ao de 2014. Minas Gerais é o maior produtor nacional de leite, com a participação de 27% do total.

Carnes

O cenário de 2015 foi desfavorável aos pecuaristas em grande parte do estado. A crise hídrica comprometeu pastagens e a produção dos principais itens da ração dos animais, como milho e soja. Em algumas das maiores regiões pecuaristas, este foi o quarto ano consecutivo de seca. De acordo com a análise técnica da Faemg, o encarecimento do processo produtivo resultou em maior descarte do rebanho, sobretudo de matrizes.

Como consequência, houve redução da oferta de animais para abate, e encarecimento da carne ao consumidor que, descapitalizado, reduziu o consumo de proteína animal.
aves

Para este final de ano, é esperado o aumento no consumo de carnes de aves. Há também expectativa de leve redução de preços ao consumidor, com o início do período chuvoso e a oferta de bovinos acabados que estão em confinamentos. O VBP total dos produtos pecuários em Minas está estimado em R$ 49,1 bilhões, uma redução de redução de 2,2% em relação a 2014.

O produtor de aves está apostando no aumento das vendas neste final de ano, só assim o setor pode conseguir incrementar a renda e amenizar as dificuldades com o aumento dos custos.

A produção mineira de carne de frangos deverá atingir neste ano 881,71 mil de toneladas, volume 3,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 851,9 mil de toneladas.

O preço médio recebido pelo produtor em novembro, de R$ 3,16/kg, foi 9,25% maior que no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, a variação foi 36%. Já no mercado internacional, o valor médio da tonelada teve uma redução de 7,2% neste mesmo período. As exportações mineiras no acumulado de janeiro a outubro de 2015 geraram US$ 251,3 milhões e um volume de 161,6 mil toneladas, o que significa que o acréscimo em 5,77% em volume foi acompanhado de faturamento 1,86% menor, na comparação com 2014.

Suínos

Com relação à suinocultura, o produtor também aguarda com expectativa o incremento das vendas com as festas de fim de ano. O VBP em Minas, de acordo com o balanço da Faemg, é de R$ 1,7 bilhões em 2015, crescimento de 0,8%.

A produção total mineira é de 436,1 mil de toneladas, volume 4,9% superior ao ano passado. Minas Gerais é o 4º no ranking do plantel de suínos.