Em uma área de 260 m², 670 violões sem corda ecoam as “Notas do Silêncio”. Esse é o subtítulo da exposição “Sinfonia em Dor Maior”, do artista plástico Leandro Gabriel, que versa sobre as ausências e suas dores. A mostra será aberta nesta quarta-feira, no Viaduto das Artes. 

O retrato de uma grande dor vivenciada pelo artista nos últimos meses impulsionou a criação da obra-instalação, que abraça “todas as dores do mundo” e convida o público para uma reflexão. “O que seria da música sem o som? É ensurdecedor”, exclama Leandro. “Mas ao mesmo tempo, o silêncio te faz refletir sobre questões humanas”, complementa. 

Dessa forma, o artista ressalta a importância de olhar para o outro e reconhecer que não há uma dor maior que outra. “A ausência causa um olhar mais fraterno com o outro”, acredita.

Na exposição, o público poderá caminhar por entre os instrumentos suspensos, e o único som no ambiente será o da batuta do maestro Silvio Viegas, regente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, que aparece em uma projeção regendo uma orquestra imaginária. “Queremos mostrar o que essa ausência causa nas pessoas”, elucida.

Ao buscar o motivo da falta de som, o público é incitado a ouvir o silêncio, olhar ao redor e exercitar a empatia. Como define o artista, é uma “aproximação sentimental”. 

Para Leandro, a obra ganha mais voz se pensarmos no momento de incertezas e intolerância que o país atravessa. “Em um país que não sabe o rumo que segue, espero que as pessoas estejam mais preocupadas com o ser humano”, anseia. 

Conhecido pelas esculturas em ferro, o artista plástico sai de sua zona de conforto para falar sobre as ausências e suas dores

Documentário
A obra não finda na exposição. A ideia é que o trabalho se transforme em um documentário, que será realizado ao longo da mostra. O artista vai colher depoimentos de pessoas sobre suas dores. 

Um exemplo, é a história de uma mulher que perdeu o filho pela má sinalização de uma estrada. “Essa ausência causou uma dor para essa mãe”, pontua. 

A produção audiovisual vem acompanhada de uma questão: “O que podemos fazer para mudar essa realidade?”, indaga o artista.

Olhar para a dor do outro, tentar ajudar e, em alguns casos, cobrar dos órgãos competentes são possibilidades. “Precisamos de medidas para que cada dor seja ouvida, modificada e não aconteça novamente”, considera.

Assim que encerrar a exposição em Belo Horizonte, Leandro Gabriel pretende sair em turnê nacional pelas principais capitais do país, com a mostra e o documentário. 

Serviço: “Sinfonia em Dor Maior”. Visitas gratuitas de 1º/2 a 28/2, das 10 às 17h, no Viaduto das Artes (av. Olinto Meireles, 45, Barreiro)