A política do crioulo doido

Opinião / 22/04/2015 - 08h09

Fernando Massote

A corrupção é a pauta maior da vida pública brasileira. É o que fica mais uma vez demonstrado pelo episódio da crise da Petrobras, repetindo a do mensalão e outros da nossa vida estatal. É a lotização do poder que corrompe a prática política no país. É a história das elites sem povo. Não é essa a mesma corrupção da escola de samba Beija- Flor de Nilópolis, comprada no Carnaval com os mais de R$ 10 milhões pelo ditador Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial? Foi um prêmio pelo fato de ele ser o líder político mais rico do mundo, com uma extensa lista de violações dos direitos humanos, como execuções extrajudiciais, tortura, prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos. A escola de samba fez bem em aceitar esse dinheiro? Ele não foi usado para comprar apoio à ditadura africana?

Lula disse à época do mensalão, na célebre entrevista que deu na Europa, o que diz agora o ex-presidente da UNE Lindberg Faria, que apareceu na crista da onda contra o governo Collor, ou seja, o que ele recebeu foi impróprio, mas não foi ilegal... Para Lula o dinheiro do mensalão distribuído pelo núcleo duro do seu partido e governo era simples “caixa dois”, colhido e distribuído com dinheiro público e privado, para, com Sarney e outros, fazer supostamente obras de interesse do povo.

É este um cenário repetitivo na história do Estado no Brasil. O que muda, por vezes, são os personagens, mas o enredo é o mesmo. A esquerda, no Brasil, é encarregada de gerar dinheiro sujo e comprar, com ele, forças políticas a favor das elites. Não é essa uma constante prática política com que a esquerda também corrompe a política do Estado no Brasil? Para ele também o dinheiro da corrupção é impróprio, mas não é ilegal... O que podemos concluir que Lula, Lindberg e Obiang fazem a mesma coisa? Não é preciso mudar esta política em favor de uma prática democrática? O ditador Obiang também não lava dinheiro sujo das elites para comprar o Estado no interesse dos donos do dinheiro? E não é com esse mesmo dinheiro que ele paga a Beija- Flor de Nilópolis?

A operação petrolão que incendeia a vida política brasileira tem só uma dimensão maior que as outras, mas não é coisa nova. Uma das mais longas foi, antes desta, a da superprodução do café desde o final do século XIX, passando pelo Convênio de Taubaté e chegando ao quadro trágico da crise de 1929. E embora tenha tido um efeito negativo com muita privatização do Estado nas primeiras décadas do século XX, a crise do café favoreceu o país a partir dos anos 30, levando-o à industrialização. Hoje as elites, fortemente envolvidas no curso corrupto em que se enredaram, deverão encontrar uma solução que nos salve dessa situação, mas emenda também o curso dessa política de privatização do Estado.

As nossas não são elites dirigentes, mas puramente dominantes como afirmam os melhores estudiosos da política. O país não suporta mais continuar assim.

Cientista político e escritor

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