O Palácio das Artes tem tudo para atrair pessoas de todas as classes sociais. Bem localizado, o edifício está em meio ao espaço público mais popular da cidade – o Parque Municipal – e tem uma programação que é 80% gratuita. Ali há opções para amantes de todas as artes sete dias por semana, em horários bem variados.

Mesmo assim, é fácil encontrar pessoas que passam diariamente pelo entorno do prédio e que nunca colocaram seus pés ali dentro. Mas, afinal, o que as impede de curtir a intensa programação? No mês em que a Fundação Clóvis Salgado – gestora do Palácio e de outros espaços culturais estaduais – completa 45 anos de existência (o dia exato é hoje), o Hoje em Dia percorreu o entorno do Palácio das Artes para conversar com trabalhadores sobre sua relação com o espaço.

Entre os entrevistados, percebe-se que os empresários, por exemplo, já usufruíram do espaço, especialmente para assistir a peças de teatro. Mas entre os funcionários, normalmente a resposta é: “nunca entrei”. Falta de tempo, de dinheiro e de interesse foram algumas das justificativas.

Conversando um pouco mais, percebe-se que há uma falta de informação sobre a grandiosidade do espaço. Muitos acham que ali está apenas um grande teatro, e ignoram a presença de cinema, galerias, jardins e salas menores. “Temos muitas clientes que são funcionárias do Palácio das Artes, que nos convidam para ir lá, mas não sobra tempo para quem é mãe”, diz Aparecida Albino, 47 anos, que trabalha há oito anos em uma loja de artigos femininos na esquina entre avenidas Carandaí e Afonso Penna.

Aproveitamento

Entre os trabalhadores do centro da cidade, há também quem sabe aproveitar bem a oportunidade. Como o pipoqueiro Rômulo Ribeiro, de 29 anos, que reveza com colegas de profissão o disputado ponto em frente ao Palácio. Graças ao seu trabalho, ele fica sabendo da programação gratuita e ganha ingressos de transeuntes. “E já vi a Orquestra Sinfônica de MG em um concerto de graça. Achei o teatro muito grande e bonito. Gosto também do café, que é gostoso e não tão caro, se pensarmos na qualidade”, diz.

Rômulo já percebeu que o Palácio atrai um público fixo, especialmente o Cine Humberto Mauro. “Tem gente que vem todo dia e sempre compra pipoca na nossa mão. Gasta mais com a pipoca do que com o cinema”, brinca ele, sobre a gratuidade do cinema.

‘Sinfônica ao meio-dia’ é exemplo bem-sucedido

Projeto tem atraído trabalhadores para concertos

Tendo entrado para conhecer ou não, o Palácio das Artes é visto pelos trabalhadores do centro como um lugar agradável, de referência cultural, com uma arquitetura diferenciada e que atrai um público mais intelectualizado. Aos poucos, vão compreendendo que não é preciso ter muito dinheiro para fazer parte desse público: basta ter interesse e tempo disponível.

Uma boa sacada da nova administração do Palácio das Artes foi atrair os trabalhadores do entorno em seus horários de almoço. Orquestra Sinfônica e Coral Lírico se revezam em apresentações gratuitas às terças, ao meio-dia.

Iniciado em 2015, o projeto tem público crescente (já alcançou plateia superior a mil espectadores) e parte dele já é cativo. “Teve um dia em que fiquei realmente surpreso. Achei que veria alguns gatos pingados entrando no teatro e vi, na verdade, um grande número de pessoas entrando direto do foyer para o grande teatro, sem precisar perguntar nada. Ou seja, já estão acostumados com a dinâmica”, diz Augusto Nunes-Filho, presidente da Fundação Clóvis Salgado.

“Nosso foco principal é transformar essa instituição numa casa pública e trabalhamos para que isso aconteça o mais rapidamente e amplamente”, diz Nunes-Filho.

Amplo

Outras ações têm sido feitas para que o espaço seja ainda mais popularizado. Os corpos artísticos da instituição (orquestra, coral, companhia de dança) estão sendo mais requisitados do que anteriormente. Melhor ainda: os ingressos são sempre bem populares, em média por R$ 10 ou R$ 5. Houve ainda uma direção mais popular para a programação do Cine Humberto Mauro (como as mostras de terror) e foi criado o “Dois na Quinta”, com shows na Sala Juvenal Dias. Será lançado ainda um edital para o Teatro João Ceschiatti.

A programação especial de aniversário conta com várias apresentações dos corpos artísticos do Palácio ao longo do mês. O destaque é o show “Palco de Encontro”, no dia 22. Será uma apresentação com representantes de diferentes linguagens musicais: Toninho Horta, Celso Adolfo, Marina Machado, Aline Calixto, Flávio Renegado e Wilson Sideral. Todos os eventos têm preço popular.

Confira mais informações e entrevista com Filipe Catto em hojeemdia.com.br

O aniversário será celebrado com apresentações especiais por todo o mês. A primeira é sábado, às 20h, quando formandos do Cefart mostram “a máquina de fazer espanhóis”. No domingo, às 19h, a Orquestra Sinfônica convida Filipe Catto