“Sempre tive sangue de cigano. Nasci numa família que não tinha grana para me levar para dar a volta ao mundo e, por isso, corri atrás”, diz o jornalista e apresentador de televisão Pedro Andrade, exemplo perfeito de quem carrega nas veias o “wanderlust”, expressão inglesa para “desejo de viajar”.

Residente em Nova York, Pedro já foi modelo, realizou diversas viagens internacionais, faz parte da equipe do programa “Manhattan Connection” e assinou o livro “O Melhor Guia de Nova York”. Com essa bagagem, ele começa a compartilhar suas andanças com o público em “Pedro pelo Mundo”, com estreia neste sábado (5), às 23h, no canal pago GNT.

O programa promete surpreender ao mostrar a realidade além dos pontos turísticos. “Não dou dicas. O intuito é entender o mundo em que a gente vive hoje, levar o telespectador para outros universos sem sair de casa e analisar de forma divertida lugares que passam por grandes mudanças”, adianta.

Descobertas
 
Em Cuba, por exemplo, o objetivo foi observar como os moradores caribenhos levam a vida agora que o embargo americano pode virar coisa do passado. Já em Mianmar, a ideia foi saber como é morar num país isolado do resto do planeta por mais de meio século. No roteiro, entraram ainda Egito, Grécia, Islândia, Dinamarca, Escócia, Singapura e Omã.

A aventura também reservou muitas descobertas. Um exemplo foi Omã. “Não esperava que fosse um país sem grandes conflitos, já que fica no coração do mundo árabe. A rapidez com que Singapura se tornou uma das maiores potências econômicas do planeta também me surpreendeu”, registra.

Entre as dificuldades está a péssima infraestrutura de Cuba, a entrada burocrática no Egito e as condições precárias das estradas para Rangum, em Mianmar. O fato de ser um brasileiro acabou sendo um facilitador para Pedro. “Em um mundo bastante anti-americanista, ter nascido no Rio faz com que muitos países se abram com mais facilidade”. “Acima de tudo, descobri que, apesar das diferenças, somos mais semelhantes do que imaginamos”, completa.

E mesmo depois de conhecer tantas paisagens, o jornalista garante que ainda é “um homem curioso e de fascínio fácil”, não desistindo de “buscar belas histórias pelo resto da minha vida”.

De mochilão
 
A empresária Fabiana Soares, 28, é outra que ama desbravar novos lugares. “Sempre tive uma vontade muito grande de cair na estrada sozinha, mas tinha medo. Até que, em 2011, resolvi ir para Marrocos. A experiência foi incrível”. Desde então, a moça passou por mais de 15 países. E exibiu coragem ao ir sempre de mochilão e pouco dinheiro. “Já viajei com 58 euros por dia”, assinala.

Apesar de amar uma estrada, Fabiana salienta que BH nunca deixará de ser sua casa. “Tenho vontade de morar em outros lugares, mas seria temporário. Tem algo que sempre me traz para cá”, relata Fabiana, que tem essa paixão ainda como hobby, embora não descarte fazer disso um negócio, principalmente aliado à fotografia.

Que tal ganhar R$ 100 mil reais em um mês para viajar?

Paulo del Valle, 26 anos, realiza o que muita gente considera como o trabalho dos sonhos, tornando suas viagens um ganha-pão. Ele é o primeiro instagrammer brasileiro a juntar esse tipo de prazer com trabalho.

Contratado por diversos governos e agências de turismo, o papel dele é promover o país por meio de fotografias postadas no Instagram pessoal. “Apesar de eles terem um itinerário pronto, fico livre para fotografar e postar o que acho melhor para o meu público”, explica ao Hoje em Dia, de Auckland, na Nova Zelândia.

Paulo entrou para o negócio por acaso. Acostumado a postar belas fotos do Rio de Janeiro, onde nasceu, viu o seu perfil acumular milhares de usuários até receber um convite para viajar a trabalho. Pouco depois já tinha largado a faculdade de Design e investido no ofício de fotógrafo.

PAULO DEL VALLE – ”Acho incrível a oportunidade de trabalhar com algo que me faz feliz”

PAULO DEL VALLE – ”Acho incrível a oportunidade de trabalhar com algo que me faz feliz”. Foto: Abdul Nesirwan/Divulgação

Nem tudo é perfeito

Atualmente, o perfil dele possui mais de 285 mil seguidores ávidos por suas novidades. Uma semana fora de casa representa, em média R$ 20 mil na conta bancária. E, acredite: já chegou a ganhar mais de R$ 100 mil em 30 dias!

Entre os lugares que visitou, Paulo destaca aqueles que jamais imaginava conhecer, como Israel, Escócia e Panamá. Na Nova Zelândia, ele cumpriria uma jornada de 18 dias. “Por aqui, tive a experiência mais incrível da minha vida até agora, que foi pousar de helicóptero em uma geleira no topo de uma montanha e explorar cavernas de gelo por lá”.

O instagrammer, contudo, salienta que nem tudo é um mar de rosas na hora de fazer as malas. “Viajar a trabalho é muito cansativo. Às vezes trabalho cerca de 12 horas por dia. Volto acabado e já fiquei até doente”, confessa. Este é um dos motivos que agora o leva a traçar novas rotas. “Este ano, pretendo viajar menos e focar em outros projetos pessoais e comerciais. Acho que a Olimpíada vai ser uma grande oportunidade para fazer isso”.

Consultora de viagens visitou 55 países e ressalta que as experiências ‘ampliam a alma’

Ganhar a vida viajando também faz parte do roteiro de Lala Rebelo, 27 anos. A publicitária e consultora de viagens cuiabana conta que a maior fonte de renda vem do blog que leva o seu nome.

Os recursos para manter a página virtual saem da venda de roteiros personalizados e publicidade. Lala já rodou por 55 países e, na maioria das vezes, ela mesma bancou as viagens.

A paixão nasceu ainda criança, com os passeios que fazia com a família, a bordo de um Veraneio. “O amor pela história e pela cultura do que é ‘diferente de mim’ foi só crescendo... Até que, em 2014, decidi fazer das viagens não só um hobby, mas um trabalho de verdade”, registra.

A última excursão foi pela Jamaica, onde a publicitária diz ter uma “vibe” muito positiva. “A forma tranquila e respeitosa com que os jamaicanos encaram a vida e o próximo é contagiante”, revela.

LALA REBELO – Na foto, a publicitária está em Havana (Cuba), local que visitou duas vezes

LALA REBELO – Na foto, a publicitária está em Havana (Cuba), local que visitou duas vezes. Foto: Divulgação

Xixi e mofo

Entre os “perrengues”, lembra de um que aconteceu justamente em sua lua-de-mel, na Índia. “O trecho que iríamos percorrer de trem seria de 12 horas, mas havia tanto rato, cheiro de xixi e mofo dentro do trem, que decidimos saltar no meio do caminho! Não foi nada romântico”.

E, apesar de parecer uma vida meio solitária, Lala, assim como Paulo del Valle, sempre recorrem aos companheiros nas viagens mais longas. Para ela, o mais incrível dos passeios é, além de conhecer lugares e culturas diferentes, o bem que faz para o nosso interior.

“Viajar amplia a alma, faz a gente enxergar o ‘outro’ com outros olhos, respeitá-lo, entendê-lo e apreciá-lo. Viajar nos tira da nossa zona de conforto, e nos torna mais flexíveis e adaptáveis”, finaliza.

Para psicanalista, viagens são saudáveis apenas pelo motivo certo

O psicanalista Fernando Corradi acredita que viajar é uma experiência ótima para o crescimento humano. “O contato com culturas diferentes é enriquecedor e gera, sim, muito prazer”. Por outro lado, ele destaca que é importante compreender o motivo da viagem. “Há pessoas que viajam para resolver questões que não conseguem resolver em seu local de origem. Mas os problemas irão continuar pendentes. Viajar não pode ser um tratamento”, alerta.

Para os que vivem pulando de um lugar para outro, o especialista também orienta que é saudável ter o momento do “voltar para casa”. “As referências são fundamentais para viver sem o estresse de ficar mudando de endereço, já que, normalmente, nestes lugares, as pessoas estabelecem vínculos fracos”, pontua.

TV é recheada de programação para quem curte cair na estrada

Somente o canal pago Multishow apresenta cinco programas que têm as viagens como temática. Entre eles está “Lugar Incomum”, já na 14ª temporada. Focados em Portugal, os episódios mostram a apresentadora Didi Wagner em pontos turísticos e exibe diversas curiosidades lusitanas. Já no “Anota Aí – Os 10 Mais”, Titi Müller, em uma volta ao mundo em 40 dias, dá dicas como “10 maneiras de ser vip pelo mundo” ou “10 hotéis que já são uma viagem”.

Dando uma visão completamente diferente da habitual, o programa “O Mundo Visto Pelo Céu”, do canal pago Discovery HD Theater, traz imagens aéreas de 3 mil metros de altitude a apenas alguns metros de altura, por meio de uma câmera HD que procura cenas belas e dramáticas do mundo.