Na última semana, uma notícia correu à exaustão na timeline de muitos belo-horizontinos, principalmente entre entusiastas do rap. É que a rimadora Clara Lima, cria pródiga das batalhas de MCs de BH, alça um novo voo, por terras até então não exploradas. Aos 17 anos, ela se aventura pelo cinema, e estreia em grande estilo: o curta-metragem “Nada”, protagonizado por ela, será exibido no Festival de Cannes, que começa nesta quarta (17) na cidade litorânea do sul da França.

Dirigido por Gabriel Martins e assinado pela Filmes de Plástico, produtora audiovisual de Contagem, o filme é um dos destaques da Quinzena dos Realizadores, uma das principais mostras paralelas do festival, que neste ano tem poucos trabalhos brasileiros. 

No curta, Clara vive Bia, personagem com a qual guarda semelhanças. “A Bia é uma menina de 18 anos que está se formando no ensino médio. Família e escola pressionam para saber o que ela vai fazer da vida. E ela não quer saber de nada, na real”, conta Clara. “É a dúvida de muitos adolescentes. Tipo eu, mano! Nem sei se quero fazer vestibular, fraga?”, reflete a jovem.

Nascida e criada no Ribeiro de Abreu, comunidade da Zona Norte de BH, Clara conta que o convite para participar do filme pintou no ano passado, num encontro com Gabriel. “Ele me procurou na internet, falou que tinha um projeto de um filme e queria que eu fizesse. Depois, foi numa batalha em que eu estava e já firmamos umas ideias. Me mandaram o roteiro e começamos a gravar”, relembra. “Foi a primeira vez que eu tive contato com um bagulho profissional. Fora isso, só coisa de escola e de igreja. Tive que decorar as falas, ler o roteiro várias vezes, e a galera me ajudou muito. Me encantei pela parada, foi uma experiência maravilhosa. Para nós, as coisas são mais difíceis. Então, quando elas acontecem a gente fica muito satisfeito, tá ligado, mano?”.

Profissão

Matriculada no terceiro anodo ensino médio, na Escola Estadual Margarida Melo Prates, Clara, assim como Bia, não perde tempo com o futuro. Diferente da personagem, porém, ela acredita já ter encontrado seu ofício. “Graças a Deus, vejo o rap como profissão. É um corre de muita luta, que venho fazendo desde 2014, e que agora já começa a dar frutos”, sublinha. “Desde o começo do ano, já não dependo dos meus pais mais para ter minhas coisas”.

Quem acompanha o rap de BH sabe, mesmo, que Clara já é grande. Depois de vencer uma série de batalhas no Duelo de MCs, em 2014, a rapper foi finalista do Duelo Nacional, apenas um ano depois. Em 2015, passou a integrar o coletivo DV Tribo e a gravar, nos anos seguintes, com vários nomes do rap brasileiro atual, como no projeto Poetas no Topo. 

“Foi tudo muito rápido, mano. Mas consegui fazer bem essa transição das batalhas para o estúdio. [TEXTO]Tem sido uma satisfação imensa cantar com ícones do rap nacional”, afirma. 

E o “corre” não para: Clara prepara o lançamento de seu primeiro disco para julho. “Para mim, não tem limite, mano. Quero chegar onde eu nunca achei que poderia”, crava. 

Clara Lima

“Para nós, 
as coisas são mais difíceis. Então, quando elas acontecem a gente fica muito satisfeito, 
tá ligado, mano?”