Marcelo D2 costuma chamar Arlindo Cruz de “compositor compulsivo”. A alcunha diz tudo: o sambista não consegue ficar mais de 15 dias sem pegar uma caneta para escrever uns versos. São mais de 700 músicas suas já gravadas. Mesmo assim, somente agora, decidiu fazer um disco totalmente autoral, o recém-lançado “Herança Popular” (Sony Music).

“Estou sempre em rodas de samba e o pagode não é feito sozinho. Nessas vivências, sempre ouço coisa boa e fico com vontade de fazer uma interpretação para músicas de outros compositores. Mas dessa vez, decidi que o disco seria totalmente autoral”, conta Arlindo Cruz.

“Herança Popular” tem 15 faixas, desenvolvidas com alguns de seus principais parceiros, como Rogê e Marcelinho Moreira. Vários amigos foram convidados para participações: Zeca Pagodinho, Hamilton de Holanda, Marcelo D2, Maria Rita, Mr. Catra e, até, o surfista Pedro Scooby.

A intenção de Arlindo foi mostrar uma pluralidade de sonoridades, casando o samba com outros gêneros, como rap e funk. “O álbum ficou com a cara do meu som. Os músicos que tocam comigo que fizeram a maioria dos arranjos. Tem várias mesclas diferentes, como um pouco de funk, a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, uma guitarra baiana na música ‘Surfista Sambista”, que fiz para o Pedro Scooby. Queria que o disco tivesse essa mistura de todo o Brasil”, explica.

Arlindo sempre esteve antenado ao que há de diferente na música brasileira, mas confessa que conheceu mais a partir do momento em que passou a integrar o elenco do programa “Esquenta” (Globo), de Regina Casé. “Esse disco tem muito a ver com a minha dedicação ao Programa. Ali pude descobrir outros universos e perder preconceitos que tinha em relação a outros tipos de música”.

Ofício

O ofício de compositor é tão profícuo, que Arlindo está acostumado a receber encomendas a todo momento – especialmente da Rede Globo. Claro que não é tão fácil quanto criar a partir de uma inspiração, mas o artista encara facilmente o desenvolvimento de uma canção para um personagem de novela ou filme.

Mas a música “Tatu Bom de Bola”, lançada no disco oficial da Fifa, parece feita sob encomenda, mas não foi. “Quando vi o mascote, fiquei pensando nas brincadeiras de roda e criei a música, sem pretensão. Depois, mandei para o pessoal da Sony e eles gostaram muito”.