O dia primeiro de maio traz uma triste lembrança para os brasileiros: há 24 anos, o país perdeu um de seus maiores ídolos, o piloto Ayrton Senna, morto num acidente na pista de Ímola, na Itália. A história do tricampeão de Fórmula 1 foi para os palcos e a versão filmada do espetáculo ganhará hoje as telas de 70 salas de cinema do país, numa exibição especial dentro do projeto Cine Experience. Em Belo Horizonte, o filme será exibido no Estação BH e no Pátio Savassi, às 18h. 

“Ayrton Senna– O Musical” entrou em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, mostrando um atleta focado, perfeccionista e com sede de vitória. Recheado de acrobacias e efeitos especiais, o musical conta com 26 atores, entre eles Hugo Bonemer, que interpreta Senna. 

Para adaptá-lo à magia das telonas, foram utilizados recursos como gruas, drones e efeitos de slowmotion. A direção é de Renato Rocha, e tem texto e músicas inéditas assinados por Claudio Lins e Cristiano Gualda. 

O espetáculo começa na última corrida de Ayrton, em 1994, e se desenrola com o que pode ter passado pela cabeça do piloto naquelas últimas cinco voltas. “É como se nesta situação ele se lembrasse dos principais momentos da vida dele, como uma retrospectiva”, comenta Aniela Jordan, sócia-diretora da Aventura Entretenimento, uma das responsáveis pela produção.

A passagem para a telona não é uma simples versão filmada, como atesta Adriano Norberto, diretor da Orange Cinecolor, produtora à frente do Cine Experience, que também assina a empreitada. “A captação foi feita em 4K, a partir de oito câmeras, duas gruas e som de última geração. A partir do desenho da peça, criamos um filme que pudesse ser levado para o cinema”, observa o empresário.

Para Norberto, o projeto tem a função de democratizar a cultura no país, levando para os cinemas, simultaneamente, um espetáculo que, por exigir uma grande infra-estrutura, possivelmente não poderia viajar por todo país. “Além de poucos teatros comportarem um espetáculo desses, o valor do ingresso também acaba sendo alto e inviabiliza a possibilidade de muitas pessoas verem”, registra.

O diretor do Cine Experience observa que o projeto nasceu após perceber alguns “buracos” no mercado exibidor. “Há anos que não vemos um filme que marca época, como ‘Titanic’. A parte criativa está estagnada, privilegiando a tecnologia. Levar teatro para o cinema é uma necessidade cultural, uma bandeira que passamos a defender”, avalia Norberto.