Doze anos após se lançarem como banda em Salvador, a Vivendo no Ócio continua fazendo jus ao nome. Não de forma pejorativa, claro. “Nós escolhemos essa vida, de sermos músicos, transformando o ócio em algo produtivo. Posso dizer que a música que escolheu a gente”, registra o vocalista e guitarrista Jajá Cardoso.
 
Atração desta sexta-feira (9), na A Autêntica, o grupo é muito fiel ao estilo roqueiro, sem se deixar levar pelas tendências do momento. Tanto é que optaram por continuar sendo um grupo “independente”, mesmo depois de ter passado por uma gravadora (a Deck Disc) e de encarar festivais importantes, como o Lollapalooza. 
 
“Sempre trabalhamos assim. Nunca deixamos as coisas nas mãos de gravadora. A época de ouro já passou e não podemos nos iludir mais. Estar com a Deck Disc foi ótimo, foi uma oportunidade de trabalhar com gente de ponta e ter uma distribuição razoável. Mas é apenas uma parte do trabalho. O suor mesmo é nosso”, observa.
 
A mudança para São Paulo, em 2009, foi um marco para o amadurecimento do grupo. Ali, entenderam que tinham deixado de simplesmente ter uma banda para “ser uma banda”, como sublinha o músico. “É como um casamento, sabe? As coisas foram dando certo, fomos crescendo e a música crescendo junto, nos trazendo maior identidade”.
 
A mesma casa onde o vocalista reside hoje, na zona oeste da capital paulista, serviu de moradia conjunta por vários anos e ainda abriga o pequeno estúdio da banda. “Fomos morar juntos numa casa na Pompeia (tradicional bairro ‘roqueiro’ paulistano), que tem uma atmosfera muito parecida com o lugar que morávamos em Salvador, no Centro Histórico”.
 
Impulsão
A ideia, na verdade, era passar de três a quatro meses em São Paulo para preparar um disco, mas os pedidos de shows foram tantos que eles não conseguiram mais voltar. “Tem um momento em que a música fica mais forte, tornando-se a nossa grande impulsão. Foi o que puxou a gente até agora”, destaca Cardoso.
 
Com três discos na bagagem – o último deles, “Selva Fundo”, lançado no final de 2015 por meio de crowdfunding –o grupo vem alimentando a ansiedade dos fãs no por um novo trabalho fonográfico. No site da banda já se pode ouvir a música “Expurgo”, um rock de pegada ska. “Já é para a galera ir se animando, mas não sabemos ainda se estará no disco”.
 
A canção fala do Brasil de hoje e da ideia de seguir em frente, apesar do céu cinzento. “É preciso ligar o foda-se. A música tem um refrão, que pode ser lido como um grito de guerra, dizendo ‘Bora, Bora, minha porra’, que é uma expressão bem baiana”, adianta Cardoso, que promete tocá-la na Autêntica.
 
A certa altura, a letra diz que toda “censura é um apartheid velado”, referência às manifestações contra liberdade de expressão, ocorridas no ano passado. “A divisão das pessoas por causa de partido e de ideias acaba atrapalhando nossa evolução”, explica o vocalista.
 
Enquanto o novo CD não chega, o Vivendo do Ócio apresenta um mix de músicas mais pedidas, como “Rock Pub Bay”, “Oh, Não!”, “Nostalgia”,
“Radioatividade” e “Bomba Relógio”.
 
Serviço: Show de Vivendo do Ócio. Sexta, às 23h, na Autêntica (Rua Alagoas, 1172 – Savassi). Ingressos: R$ 20 (promocional) e R$ 30 (portaria).