Peças teatrais com duração de 15 minutos em média, com no máximo três atores no palco. O público não pode passar de 15 pessoas por sessão e o espaço cênico deve conter medidas próximas a 15 metros quadrados. Essa é a fórmula de uma iniciativa cultural inédita em Belo Horizonte. Trata-se do La Movida Microteatro – Bar, que abre as portas nesta quinta-feira com três salas e um bar. Para a estreia, quatro micropeças estarão em cartaz até o domingo (8). O projeto é da publicitária e produtora cultural Clarice Castanheira e do ator Guilherme Théo.

Clarice explica que a ideia surgiu após fazer uma viagem a Madrid, na Espanha, onde o formato foi criado em 2009. Uma das ações espanhola, inclusive, o La Malhablada, da cidade de Salamanca, ajudou a estruturar o La Movida. “Temos a intenção, a médio prazo, de fazer um intercâmbio com eles, trazendo-os para cá e indo com o La Movida para lá”, adianta. 

Itinerante
Propositalmente, nesse primeiro momento, o projeto mineiro irá se mover por espaços de BH. A parada inicial será na Alfaiataria, no bairro Funcionários, onde a temporada de estreia acontecerá em janeiro, fevereiro e março em parceria com a Campanha de Popularização Teatro & Dança 2017. 

Posteriormente, a iniciativa seguirá para outro local. “A gente vai circular, mas temos a intenção de chegar num espaço definitivo para consolidar a proposta”, informa a produtora cultural.

Diferentemente da experiência ocorrida no Rio de Janeiro em 2014 e 2016, quando houveram edições nesses moldes no Castelinho do Flamengo, em BH o intuito é que a ação seja permanente. 

Valorização da cena
A ideia é sempre trazer três espetáculos simultâneos de curta duração. Com curadoria de Guilherme Théo, o formato atenderá aos mais diversos gêneros, do drama à comédia, passando pelo teatro de boneco, palhaçaria, poesia, entre outras. 

Criado com recursos próprios, Clarice diz que o La Movida irá devolver 70% da bilheteria da peça aos artistas, para fomentar a cena mineira. “Aqui há uma produção efervescente, mas nem sempre otimizada como se deveria, porque, após os festivais, muita coisa se perde”, avalia. “Vamos abrir portas de trabalho. Será como um respiro para esse momento de crise de leis de incentivo”, emenda. 

Entre as micropeças que abrem a casa está “Eu”, de Andréia Quaresma, que fala das alegrias e tristezas de ser mulher num mundo machista. Em “Coisas Boas Acontecem de Repente”, de Cynthia Paulino, uma mulher fala com as paredes desde criança. “Souvenir”, por sua vez, trata-se de um encontro entre o público e a palhaça Janaína Morse. Já em “Ventre sem Umbigo”, Marina Tadeu interpreta uma mulher enquanto ela aguarda os efeitos das pílulas abortivas que ingeriu.

Serviço: Inauguração do La Movida Microteatro – BAR, nesta quinta-feira (5), na Alfaiataria (rua Santa Rita Durão, 153, Funcionários). Funcionamento de quinta a sábado, das 18h às 1h30 (micropeças, das 21h as 22h45), e domingo, das 17h às 23h30 (micropeças, das 20h às 21h45). Ingresso: R$ 8 (cada micropeça).