“Para mim, a imagem ganha força com a união de seus elementos poéticos” pontua o artista visual mineiro Daniel Antônio. É através dessa premissa que ele constrói as narrativas que compõem a exposição “História Para Fantasmas”, que ocupa a Câmera Sete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, de amanhã a 7 de julho.

Evocando e entrelaçando memórias, histórias e tradições, o artista mergulha em polaroides, fotografias analógicas e fotogramas para compor suas obras. “Trabalho com a apropriação de imagem. Junto fotos que recolhi, que comprei e que fiz. É uma história sempre contada por imagens, algumas que foram descartadas, encontradas no lixo”, explica. “Tem esse caráter de fratura nas fotografias, algumas provocadas por mim e outras encontradas já deterioradas”, diz.

Apesar do mergulho na tradição do fazer fotográfico – dentro dos elementos explorados por ele, está o negativo – Antônio ressalta que a exposição não tem como proposta apresentar uma mensagem contrária à fotografia digital, tão presente na contemporaneidade. “É uma escolha de material como qualquer outra. Para o tipo de narrativa que eu crio, o analógico, a polaroide e o fotograma deixam a narrativa mais enigmática e trazem com mais força essa materialidade que eu busco”, sublinha. “Eu também tenho esse prazer no erro, nas coisas que aparecem sem serem programadas”, diz.

A partir de “criações poéticas”, como ele define, a mostra apresenta narrativas que se unem, assim como as imagens que compõem as suas obras. “A exposição é organizada como se fossem vários contos, em que um vai dando uma pista para o outro”, afirma. Os temas evocados pelas obras estão presentes nas próprias imagens utilizadas por ele “Eu subverto a tradição e revelo algum caráter escondido nessas fotografias”, acredita.

A Cidade

Se o Daniel Antônio faz um jogo com o passado, a artista gaúcha Letícia Lampert segue o caminho oposto. Na exposição “Práticas para Destrinchar A Cidade”, que também ocupa a Câmera Sete, ela explora a paisagem dos grandes centros, questionando o próprio cenário desses locais – como o horizonte escondido pelas grandes construções, os poucos resquícios naturais do ambiente e até mesmo a impossibilidade de ver o céu em meio a tantos prédios. “Esse é um trabalho que comecei no ano passado, em São Paulo. Todas as imagens foram captadas lá. Mas ele poderia ter sido feito também em Belo Horizonte, ou em Porto Alegre, porque não são questões específicas de um lugar, mas de várias cidades brasileiras”, pontua. “Trata-se de pensar o nosso entorno. É interessante ver como essa é uma paisagem genérica”, explica.

Letícia Lampert

PAISAGEM – A gaúcha Patrícia Lampert questiona o espaço dos grandes centros urbanos

Serviço: Exposições do Edital de Fotografia da Fundação Clóvis Salgado – “História Para Fantasmas”, de Daniel Antônio, e “Práticas para Destrinchar A Cidade”, de Letícia Lampert, na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais (Av. Afonso Pena, 737 – Centro). De amanhã a 7 de julho. Entrada Gratuita.