Um homem que usa o dinheiro e o poder que tem para conquistar o que deseja. Poderia ser qualquer personagem que vem frequentando o noticiário político atual, mas se trata de Boca de Ouro, personagem clássico do teatro brasileiro, criado por Nelson Rodrigues há mais de 60 anos.
A relação do texto rodriguiano com o momento brasileiro, não por acaso, é um dos pilares da montagem mineira, em cartaz a partir de amanhã, no teatro João Ceaschiatti, dentro da 44ª Campanha de Popularização do Teatro & Dança. 
 
“Adicionamos quatro textos jornalísticos do próprio Nelson, que servem como comentários sobre o que está acontecendo em cena. Um deles, chamado ‘O Idiota’, escrito em 1958, parece que fala do agora, ao dizer que os idiotas conduzem os inteligentes”, registra o ator Alexandre Toledo.
Protagonista e produtor do espetáculo, Toledo assinala que os comentários sobre o Brasil de hoje também estão presentes na música de Leonardo Mendonza. “Ela é um diferencial importante. Fizemos uma trilha própria, que é bem explícita em relação ao Brasil pós-golpe”.
 
Valorização
No palco, são sete atores, número menor do que o apresentado no original. “Alguns personagens suprimimos ou condensamos. Os cortes foram poucos e só inserimos os comentários. O que buscamos nesta peça é valorizar o texto de Nelson e o ator”, afirma Toledo.
 
Escrita por Nelson Rodrigues em 1959, a peça foi montada pela primeira vez por Ziembinski, diretor e ator do papel-título, para a Companhia Brasileira de Comédia, mas acabou se tornando um fracasso
 
Para o ator, o bicheiro Boca de Ouro é um dos grandes personagens da galeria do dramaturgo. “É o melhor personagem masculino do Nelson, ao lado do Ismael, de ‘Anjo Negro’”, observa ele, que faz sua segunda incursão pelo universo rodriguiano após “Senhora dos Afogados”, montada em 2015.
 
“Boca de Ouro” – De amanhã ao dia 25/2, no teatro João Ceschiatti (Avenida Afonso Pena, 1537 ). Quinta a sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. Ingresso: R$ 11.