Se a estreia do ala brasileiro Bruno Caboclo na NBA foi arrasadora, não se pode dizer o mesmo de sua primeira temporada no Toronto Raptors. O atleta de 19 anos disputou apenas quatro partidas pela franquia canadense e depois foi enviado para a liga de desenvolvimento do basquete norte-americano, a D-League, onde atuou pelo Fort Wayde Mad Ants, de Indiana. Adaptado à nova rotina, ele admite que gostaria de ter ficado mais tempo em quadra - somou 16 minutos em ação, sendo 12 na estreia, quando acumulou oito pontos, um toco e um rebote, -, mas reconhece que quando chegou não estava preparado para deslanchar.

"Eu esperava ter mais tempo, mas também é meu primeiro ano. Fisicamente eu não estava muito pronto, agora eu acho que posso contribuir com alguma coisa", afirmou. "O mais difícil foi mentalmente. Em relação ao basquete não é muita mudança porque os treinamentos lá (Canadá) são muito bons, é mais cabeça", continuou.

Apesar do tipo físico ideal para um jogador de basquete, com 2,06 metros e uma excelente envergadura, Caboclo conta que teve dificuldade no início para acompanhar o ritmo de jogo na nova equipe e precisou de três meses para se acostumar com a agilidade dos companheiros e adversários. O ala também enfatiza o porte "atlético" dos jogadores da liga e vê uma realidade muito diferente do seus tempos de Novo Basquete Brasil (NBB), quando atuava pelo Pinheiros.

Durante sua adaptação, ele pôde contar com os conselhos do colega de equipe James Johnson. "Ele foi incrível para mim e para o (Lucas) Bebê, ajudava bastante, chamava para treinar junto", destaca. Outro jogador que o incentivou a se dedicar e a treinar forte foi o brasileiro Nenê, do Washington Wizards.

O ala, que veio ao Brasil para evento promocional dos Jogos Pan-Americanos, dará início ao calendário de treinos de verão assim que voltar ao Canadá. O Toronto Raptors levará a equipe para um centro de treinamento em Vancouver e também para atividades em Los Angeles e Las Vegas, nos Estados Unidos.

O planejamento da franquia para a sua próxima temporada não é muito diferente do que foi traçado neste ano. "Eu vou ter poucos minutos em quadra e vou fazer alguns jogos também pela D-League", explicou. Ele quer usar a experiência adquirida no Mad Ants, formado por jogadores mais velhos, focados no título da competição da liga secundária, para evoluir cada vez mais.

Bruno Caboblo admite se sentir um pouco frustrado, mas nega que o motivo seja a falta de espaço no time canadense. Para ele, a maior dificuldade é morar sozinho. Hoje está instalado em um apartamento bem próximo ao centro de treinamento em Toronto e não precisa de carro para se locomover.

Caseiro, costuma sair de casa apenas para ir a restaurantes e, por isso, diz não ter sofrido com o rigoroso inverno local. Depois de ter 12 horas semanais de aulas de inglês, a língua da sua nova casa não é mais um problema. Em janeiro, recebeu a visita da família durante duas semanas e até agora conheceu dois cartões-postais da cidade: a CN Tower e o Aquário.

Em fevereiro foi a vez do jogador aproveitar a folga no Brasil. Ao lado de Lucas Bebê, outro brasileiro do elenco do Toronto Raptors, Caboblo acompanhou os desfiles das escolas de samba na Sapucaí, no Rio. E a passagem da dupla pelo carnaval gerou repercussão no Canadá. No entanto, ele nega que isso tenha influenciado o seu futuro na equipe. De acordo com o jogador, a sua nova passagem pela D-League já estava acertada.

No mês passado, o técnico da seleção masculina de basquete, Rubén Magnano, foi aos Estados Unidos para uma série de encontros com jogadores brasileiros que atuam na NBA: Nenê, Leandrinho Barbosa, Tiago Splitter, Anderson Varejão e Vitor Faverani. O objetivo era conversar sobre o Pré-Olímpico das Américas, que foi transferido de Monterrey para a Cidade do México e será disputado entre os dias 31 de agosto e 12 de setembro.

Outro tópico que já ronda a equipe é a disputa dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho. Ainda sem definição, Bruno Caboclo vive a expectativa da convocação. "Não sei ainda porque não conversei com o técnico da seleção brasileira. Quando ele foi lá, eu estava na D-League. Mas a gente vai conversar."