O cantor e compositor Caetano Veloso aproveitou a passagem por Belo Horizonte, onde fez show neste domingo (8), no Palácio das Artes, para visitar um exposição polêmica na capital. Os 130 trabalhos de Pedro Moraleida, em ‘Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina’, expostos na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, há um mês, foram acusados por grupos religiosos conservadores de incentivar a pedofilia.

O baiano rebateu as críticas. “Não há pedofilia em nada. Alguns políticos estão se aproveitando para induzir a população a pensar que alguém está produzindo algo para incentivar a pedofilia. Não há nada aqui que não tenha sido feito na história da arte, principalmente na recente”, afirmou Veloso. 

O cantor, que viveu na época da ditadura, se assusta com esse tipo de ato contra a arte. “Se as pessoas aderirem a isso, teremos uma clara situação de ameaça em que as pessoas vão ficar limitadas. Eu vivi um período assim e não quero nada parecido com isso de novo”, desabafou. 

Movimento 342 pela Arte 

Durante a visita de Caetano, a classe artística lançou uma campanha contra os atos de proibição. “Os criminosos no Brasil não são os artistas”, afirma Paula Lavigne, artista e produtora, incentivadora do movimento. De acordo com ela, os políticos querem confundir a população. “Quem compra essa ideia está sendo enganado duas vezes: a primeira, porque acredita que tem crime na arte, depois porque está se desgastando com a classe errada”, afirmou. 

De acordo com os idealizadores, o movimento visa o combate e o esclarecimento das questões relativas à arte no Brasil. Entre elas está a possibilidade de classificação indicativa em museus e a Lei de Incentivo à Cultura.

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