Um dos lançamentos mais celebrados no fim de 2016 foi “Carminho Canta Tom Jobim” (Biscoito Fino). E não faltam motivos. Além do repertório propriamente dito, a fadista portuguesa está cercada por músicos de primeira, que integraram a Banda Nova: Paulo Jobim (violão, direção musical e arranjos), Daniel Jobim (piano) – filho e neto do homenageado, respectivamente –, Jacques Morelenbaum (violoncelo) e Paulo Braga (bateria). Uma curiosidade: a Banda Nova, que tocou por dez anos com o maestro soberano, foi criada em 1984, ano em que Carminho nasceu.

Três expoentes da música brasileira são convidados para os duetos: Marisa Monte (em “Estrada do Sol”, parceria de Tom com Dolores Duran, que aparece de novo em “Por Causa de Você”, que fecha o disco), Chico Buarque (em “Falando de Amor”) e Maria Bethânia (em “Modinha”, dobradinha com Vinicius de Moraes que se repete em “O Que Tinha de Ser”, “O Grande Amor”, “Luiza” e “A Felicidade”).

A gravação do álbum partiu de um convite da família de Tom Jobim a Carminho, em meados de 2015

A atriz Fernanda Montenegro é outro nome de peso que empresta sua voz na citação “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, que abre a faixa “Sabiá”, parceria de Tom com Chico Buarque, que Carminho havia interpretado no documentário “Chico – Artista Brasileiro” (exibido nos cinemas em 2015, o filme trouxe ainda um dueto intenso da cantora com Milton Nascimento, em “Sobre Todas as Coisas”). 

Outra parceria de Tom e Chico gravada agora em “Carminho Canta Tom Jobim” é “Retrato em Branco e Preto”. Mais dois parceiros foram resgatados nas 14 faixas do álbum: Aloysio de Oliveira (“Inútil Paisagem”) e Newton Mendonça (“Meditação”). Completam o repertório “Triste” e “Wave”, com letra e música de Tom Jobim.

Amor antigo
Carminho já havia demonstrado afinidade e admiração pela música brasileira em seus álbuns anteriores, “Alma” (2012) e “Canto” (2015), que contaram com participações de nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Marisa Monte, Caetano Veloso, Cesar Mendes e Tom Veloso.