A imagem do vocalista Rhossi e sua máscara de hóquei ficou gravada na memória de quem acompanhou a música pesada dos anos 1990. Uma das primeiras bandas brasileiras a misturar as rimas e beats do rap com os riffs de guitarra e viradas de bateria típicos do metal, o Pavilhão 9 marcou toda uma geração. Quem não se lembra da polêmica capa de “Se Deus vier, que venha armado” (1999), que despertou a ira tanto do poder público quanto da igreja católica?

Se o Pavilhão ficou fora de cena por alguns anos, agora volta renovado e com fôlego, com o recém-lançado disco “Antes Durante Depois” (Deck). O álbum celebra a nova fase do Pavilhão, que vem retornando à ativa nos últimos cinco anos. “Em 2012, quando fomos convidados para tocar no Lollapalooza, a banda não tinha planos para o retorno. Foi em 2015 que o Doze e eu resolvemos organizar essa volta”, relembra Rhossi. “Foram três anos de produção. Pensamos em todos os profissionais que poderiam vestir a camisa, e o Daniel Krotosynski, nosso produtor, foi muito importante, especialmente no início das produções”, completa.

Dividindo o vocal com o parceiro Doze (o único remanescente da primeira fase da banda), Rhossi agremiou um novo time de músicos para dar cria a dez faixas inéditas. “Organizamos a temática das letras e, principalmente, definimos quem seriam os novos integrantes até chegarmos ao resultado que gostaríamos”, conta.

Rhossi afirma que, apesar de manter a pegada que marcou o som da banda, o novo disco traz influências contemporâneas. “Em 1997, no álbum ‘Cadeia Nacional’, fizemos a fusão de rap, rock e hardcore. Para esse novo álbum, mantivemos o que fazíamos anteriormente, mas trocamos muitas referências musicais com a nova formação da banda também”, diz. “Além disso, bebemos de fontes mais recentes para trazer um som mais atual para o público. Particularmente, tenho ouvido desde funk anos 70, jazz e R&B à Kendrick Lamar, Asap Rocky, Joe Badass e Drake”.

Sobre as letras, o vocalista afirma que as faixas falam do cotidiano do trabalhador, lembram dos esquecidos e apontam as falhas dos governantes. “Na faixa ‘Isto Não Para’, versão do rapper espanhol Kase, falamos dos imigrantes e refugiados na Europa, das guerras e das injustiças sociais no mundo”, ilustra, lembrando que o ilustrador Leandro Dexter assina a arte da capa do disco.

Para Rhossi, o rap tem mostrado sua capacidade de adaptar às pautas e realidades de cada tempo. “Hoje, o rap tomou mais espaço e temas mais variados, como homofobia, racismo, preconceito e empoderamento feminino estão mais presentes nas letras”, afirma. “O rap é a música do momento no mundo. A cultura tem que ser levada a sério, o rap deve ser feito com amor e verdade”, define.