O “beijaço” promovido pelos personagens de “Malhação: Viva a Diferença”, em setembro de 2017,já tinha causado rebuliço e comoção nas redes sociais, já que a cena exibiu também um selinho entre dois garotos e duas garotas.

Mas o momento mais aguardado pelos fãs do folhetim aconteceu no último dia 2, quando as personagens Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovana Grigio), que já haviam dado um selinho, protagonizaram o primeiro beijo do casal “Limanta” (como é chamado na internet) e também o primeiro beijo homossexual exibido na novela adolescente.

Mas, apesar de ter dominado as discussões no mundo virtual – tornando-se rapidamente um dos temas mais comentados nas redes sociais neste início de 2018– o episódio joga luz à questões como a representatividade e o respeito aos LGBTs.

A psicóloga Renata Feldman acredita que a cena representa não apenas um reflexo da realidade, mas também promove e incentiva o debate sobre a questão. “Quando um assunto como esse é exposto na mídia para um público que está em formação, isso passa a ser debatido, repensado”, sublinha.

Segundo ela, a importância da representação vai além da ampliação do debate. “A mídia traz todo um impacto nas pessoas. Elas podem se identificar, podem criticar, algumas podem entrar numa esfera de preconceito e outros podem ficar aliviados por verem um tema como esse sendo abordado”, diz.

Assim, Feldman também ressalta a importância de episódios como este, principalmente para os LGBTs. “O processo de ‘sair do armário’ pode ser muito sofrido. Quando isso é colocado na TV, é como se estivéssemos dizendo: vocês também fazem parte, por isso estamos te colocando aqui”, explica. “Quando representamos um segmento como esse, que é uma parte da sociedade, de uma cultura e de uma comunidade, essa representação gera um sentimento de pertencimento, e esse sentimento valida a própria identidade”, acrescenta.
 

Além dos estereótipos

Destacando a importância da visibilidade gerada por cenas como o beijo exibido em “Malhação” ou a própria presença de personagens LGBTs, o jornalista e pesquisador Vinícius Lacerda observa ainda outros avanços. “O que eu acho interessante é que a quantidade personagens, tanto de filmes, folhetins ou seriados, tem aumentado. Mais do que isso, venho notando que há uma diferença de como esses sujeitos têm sido mostrados. Estão tirando um pouco do estereótipo que costuma envolver o gay e a lésbica, geralmente ligados a um ambiente cômico”, sublinha. “Não desmerecendo as outras formas de representação, mas com estereótipos como o gay afeminado ou a lésbica masculinizada, por exemplo, a gente corre o risco de que seja criado apenas um modelo, sendo que a sexualidade é um espectro muito mais amplo”, pontua.

Ele acrescenta também que o próprio retrato dos relacionamentos homoafetivos têm se modificado, não se restringindo apenas à questão LGBT. “Em produções como ‘Call Me By Your Name’, por exemplo, os relacionamentos não são colocados apenas como LGBT, mas são tratados como um relacionamento como outro qualquer. Quando o cinema e a TV fazem isso, elas também colocam o sujeito LGBT no âmbito de normalidade, que eles já deveriam estar”, afirma.

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