Bertolt Brecht sempre esteve entre os autores teatrais mais pesquisados pela Companhia Cóccix, que acaba de completar dez anos de atividades. O espetáculo “A Santa do Capital”, outro destaque da programação do Verão Arte Contemporânea, é o primeiro em que o grupo de Minas parte de um texto pronto do destacado dramaturgo e encenador alemão.
 
“Sempre trabalhamos com o teatro político e com uma dramaturgia autoral. Quando resolvemos que partiríamos de algo pronto para fazermos uma livre inspiração, nos perguntamos por que não o Brecht, já que as nossas pesquisas apontavam para ele”, afirma Sinara Teles, atriz e produtora da peça que será apresentada de sexta a domingo, no Arquivo Público Mineiro.
 
Identificação
“A Santa do Capital” tem muito a ver, segundo Sinara, com a crise do capital vivenciada agora. “Brecht montou o texto após a quebra da bolsa de 1929, comparando fábricas que trabalham com carnes com operários, que são abatidos, explorados e mortos pelo capital, atrelando tudo isso à questão da fé, a partir de uma líder (Joana) que descobre aos poucos a realidade nua e crua”.
 
Sinara pondera que o grande desafio dessa montagem é trazer essa crítica para o hoje. E isso se efetiva quando se questiona sobre os muitos operários que saem para trabalhar e não voltam. “Nossa dramaturgia é bem didática para criar esse entendimento, essa identificação”, destaca. Em outros trabalhos, o grupo abordou problemas da saúde, da moradia e das relações de poder.
 
O espectador participa ativamente de “A Santa do Capital”, passando por diferentes espaços e se sentindo parte dos vários momentos, ocupando os lugares de bois e fiéis por exemplo. 
 
Serviço: “A Santa do Capital” – De amanhã até domingo, às 20h, no Arquivo Público Mineiro (av. João Pinheiro, 372, Funcionários). Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).