“E aí, meus loucões e louconas deste Brasil, tudo bom com vocês”? Se essa frase não lhe diz nada, mas você tem filhos, sobrinhos, netos, afilhados ou irmãos com idade entre os seis e os 15 anos, o tormento começa hoje (12): entra em cartaz “Eu Fico Loko”, estreia no cinema de uma das maiores estrelas do YouTube, Christian Figueiredo.

Não que o filme, que narra a história de vida do pós-adolescente Figueiredo, de 22 anos, seja ruim. Ele é um cozidão competente de centenas de causos já contados por Christian na internet e depois colocados no papel – os três livros da série biográfica “Eu Fico Loko” figuraram na lista dos dez mais vendidos por semanas.

É um filme sobre como um adolescente desajustado pode se tornar uma estrela. Sobre a perda do BV – “boca virgem”, ou quem nunca beijou na boca, no nível principiante de adolescentes há duas décadas. Sobre a morte de um ente querido. Sobre a perda da virgindade. Todos temas áridos e atemporais. Mas é clichê até dizer chega.

A comédia foge da tentação de reproduzir a mina de ouro que Figueiredo garimpou na internet.

Em vez de fazer uma filmagem em plano americano de um adolescente discursando sobre diarreia, é um filme com atores, sobre um youtuber, não um filme de youtuber tentando ser ator, como faz Kéfera, a mulher mais forte da internet nacional.

Elenco interessante
Com o poderio de ser uma das figuras centrais da cultura nacional, Christian conseguiu reunir um elenco interessante que resgata o filme de ser um cataclismo de tédio para as pessoas que não sentem engulhos de gritar quando a figura esguia de boné e franja aparece na tela.

Pausa para merecidas palmas a Alessandra Negrini, como a mãe, e Suely Franco, no papel da avó desbocada.

Há bons momentos cômicos, a maioria deles quando o filme ri de si mesmo. Na abertura, Christian explica para o público que aquele “vídeo de internet” é um pouco mais longo do que a média, e por isso se chama “filme de longa-metragem”.

O resultado é simples, mas simpático, ainda que inexpressivo para quem é incapaz de entender o apelo exercido pela trajetória batida do ídolo.