Profundo conhecedor dos bastidores da política, o jornalista Leandro Mazzini tem um “universo paralelo”. A literatura é, para ele, uma válvula de escape na qual se refugia de vez em quando para “mergulhar nas nuances da metáfora”.

Por isso não vá esperando semelhanças entre o que se passa atualmente em Brasília e o submundo carioca, tema de seu primeiro romance, “Boa Noite, Rio”. O livro do colunista do Hoje em Dia será lançado amanhã, em Muriaé, cidade natal de Mazzini.

Ele escreveu o livro há 17 anos, em oito noites escalonadas. “Veio como um relâmpago, num exercício noturno (sou notívago) incessante e eletrizante. As histórias e seus personagens vinham à mente como um thriller, desnudando-se na minha mente”, lembra.

O enredo exibe as desventuras de Hector Garcia López, um Don Juan às avessas que protagoniza situações surreais atrás de respostas sobre sua origem, tendo à mão apenas um misterioso bilhete como mapa de sua busca.

“Nos nove anos que morei na cidade, vivi o Rio intensamente, como repórter em especial. Subi e desci favelas – certo dia, eu e um fotógrafo do ‘Jornal do Brasil’ caímos numa boca de fumo no Borel, após comício da então governadora Rosinha. Fomos salvos por um líder comunitário, diante de armas apontadas”, registra.

Mazzini assinala que, a despeito do momento ruim vivido pela cidade, o Rio “é tão mágico que nos permite criar um cenário de ficção com desventuras, crimes, sarcasmo e surrealismo. “O Rio é uma mistura de energias, bastou saber aproveitar disso no romance”.

Pensando num filho de cada vez, como ele diz, o jornalista tem outros dois livros guardados há anos. “Tive uma forte produção literária de gaveta até dez, 15 anos atrás. Como sou jornalista político há 20 anos, sendo dez deles morando em Brasília, a ‘meca’ do poder nacional, foquei meu trabalho na cobertura diária”, explica.