Prestes a completar um mês de vida, o La Movida mostra que chegou para preencher uma lacuna. Prova disso é que esta semana o projeto, que une teatro e boemia, leva ao público duas micropeças criadas especialmente para ele. “Depois que inauguramos, muita gente se interessou em apresentar no espaço. Só para março já temos 15 propostas para montar a grade”, celebra o ator Guilherme Théo, que toca o empreendimento ao lado da produtora cultural Clarice Castanheira.

Com casa cheia de quinta a domingo, o público tem sido cúmplice desse movimento que abre um novo caminho para as artes cênicas em BH. “É um espaço para os artistas escoarem suas pesquisas, um espaço de convivência e de formação de público”, pontua Guilherme. A diversidade de linguagens é outro ponto que atrai atores e público. 

Estreantes
“Sapato Bicolor”, de Fabiano Persi (com sessões amanhã, sexta e domingo), e “Homem Bomba”, de Luiz Arthur (sábado e domingo), foram montados especialmente para o La Movida.

“Vivemos tempos sombrios e essas iniciativas são luz no fim do túnel. Esse foi um dos fatores que me moveram a fazer a cena curta”, explica o ator Luiz Arthur. Com texto da atriz e diretora Cynthia Paulino – que já esteve em cartaz no La Movida – e direção do próprio ator, “Homem Bomba” fala de um homem que quer compreender os vários eus que o habitam, e para isso utiliza métodos nada convencionais. “Resolvi fazer algo que contornasse esse lugar de sombras. Trazer esse lado nefasto que impregna algumas pessoas hoje no nosso cenário político e social”, elucida Luiz. 

A cena inédita foi inspirada no filme “O Médico e o Monstro”. “É um estilo (terror/ficção científica) que não é montado com frequência no teatro. Estou animado. Ele faz uma profunda reflexão sobre a natureza humana”.

Já “Sapato Bicolor”, de Fabiano Persi, revive os movimentos da Soul Music em BH. Por meio da figura de um engraxate, o ator traz o universo das pessoas que frequentam o tradicional Baile da Saudade para celebrar a música e a dança, e faz reflexões. “Muitas vezes são pessoas que estão à margem da sociedade, mas nesse espaço têm destaque e são reconhecidas. É a questão da dignidade do ser humano por meio da dança”.

Fabiano Persi
Fabiano Persi – Ator revive os movimentos da Soul Music em Belo Horizonte, no palco do La Movida

Afeito à ideia de que o espetáculo tem que ser acessível a todo tipo de público e olhares, Fabiano celebra a iniciativa do La Movida. “Ele não setoriza. No espaço de convivência as pessoas podem falar da cena que acabaram de assistir e indicar para quem está na mesa ao lado. Há um diálogo imediato”, avalia.

A programação desta semana conta ainda com “Festival de Ideias Brutas ep.01”, de Marina Vianna, e “A Cantora Careca”, do DUO DAIA, que se apresentam pela primeira vez no local. 

"Os estilos são variados. Tem comédia, teatro político, marionete, tudo convivendo no mesmo lugar. Sem limitar o público” Guilherme Théo

A Dinâmica
Ao chegar ao La Movida, um dos funcionários traz dois cardápios, um contendo bebidas e comidas (tapas espanholas), e outro com a sinopse das micropeças em cartaz naquele mês.
 
São sempre três peças a cada dia, com duração média de 15 minutos, encenadas para um público de até 15 pessoas por sessão. Paga-se R$ 8 por espetáculo que decidir apreciar. “A maioria do público tem interesse de assistir todas as peças. E ainda volta para ver as novidades”, garante Guilherme.

O início de cada sessão é avisado por meio de um megafone. Quem está com ingresso é convidado a ir para a sala. São três, que levam nomes de atores da cidade que já partiram: Cecília Bizzotto, Soraya Borba e Ítalo Mudado.

Quem estiver com o copo cheio pode levar a bebida para o local da apresentação. A ideia é que o La Movida seja itinerante.

La Movida – até 2/4 na rua Santa Rita Durão, 153, Funcionários. De quinta a sábado, das 18 a 1h, e domingo, das 17 às 23h30. Ingresso: R$ 8 cada micropeça