“Nesses tempos de cortes, temos que ser criativos”, diz o diretor artístico da Cia Palácio das Artes, Cristiano Reis. Para se adequar a um orçamento mais reduzido, a companhia desenvolveu um espetáculo mais curto, concebido para palcos menores e com menos bailarinos em cena – apenas nove em cada apresentação. Por isso, essa será a primeira vez que o grupo vai dançar na sala João Ceschiatti, em vez de usar o Grande Teatro do Palácio das Artes. 

A poesia é o grande mote para “Nuvens de Barro”, que será apresentado de amanhã a domingo, com preços populares. No espetáculo, a companhia mergulha no universo lírico e brejeiro do poeta Manoel de Barros (1916-2014). 

“Gosto muito da obra dele, é um universo bem aberto para se viajar. É uma poesia que não traz algo já fechado”, afirma Cristiano, adiantando que o fato de Manoel de Barros versar sobre a delicadeza dos objetos foi uma importante fonte de inspiração. 

Para a direção coreográfica, foi convidado Fernando Martins (coreógrafo mineiro com 28 anos de experiência), enquanto a direção cênica contou com Joaquim Elias, multiartista e pesquisador. 

“O Joaquim é um estudioso do Manoel de Barros e tem experiência em trabalhar com esse tema. Ele chegou a se corresponder com o poeta, é um grande conhecedor da obra de Manoel”, afirma Cristiano.

Além de coreografar, Fernando selecionou as músicas do espetáculo, mesclando composições de Rodrigo Salvador com citações de grandes artistas da MPB.

Por falar em Manoel de Barros, nesta quarta-feira (12) foi lançado o aplicativo interativo “Crianceiras”, com textos do poeta mato- grossense e ilustrações de Martha Barros, filha dele

Coletivo
Segundo o diretor artístico, a marca principal da companhia – a construção coletiva – permanece no espetáculo. “Mesmo sendo um processo mais curto de pesquisa, continuamos mantendo a característica da companhia de ter os bailarinos colaborando na concepção, nos movimentos, nos figurinos”, diz. 

Cristiano, Fernando e Joaquim passaram exercícios aos bailarinos a partir de livros de Manoel de Barros para que depois os artistas voltassem à sala de ensaio com ideias. 

Toda a concepção já foi direcionada a uma montagem fácil de ser levada a outros palcos, facilitando a circulação. Assim, a economia em iluminação e cenografia acabará sendo importante para que a companhia consiga se apresentar em palcos menores e mais intimistas do interior. 

“Nuvens de Barro” no Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537), Nesta quinta (13) e sexta (14), às 20h, sábado e domingo às 18h e 20h. Ingressos a R$ 10 (meia)