Ao final de um ano marcado por crises em diversos âmbitos, a Fundação Clóvis Salgado apresenta uma obra que fala de esperança e renovação. Para encerar a temporada de seus três corpos artísticos, estreia hoje o espetáculo “Messias”. 

Com coreografia baseada no oratório do compositor alemão Haendel, a montagem coloca no mesmo palco a Cia. de Dança Palácio das Artes, a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais. “Um encontro desses três corpos artísticos com essa característica onde todos são protagonistas é a primeira vez que acontece”, comemora o maestro Silvio Viegas, que assina a direção musical e a regência.

Para esta adaptação, Viegas escolheu as duas primeiras partes da obra – a Anunciação e o Nascimento de Jesus. “Messias está sempre ligado ao Natal. E achamos que essas duas partes se encaixariam no discurso que seria importante para esta época do ano. Selecionamos trechos que deixou a apresentação dinâmica e com qualidade”, elucida o maestro.

Dentre as composições de Haendel está “Hallelujah”, uma de suas peças mais famosas, e que encerra a montagem. “Não teria melhor forma de encerrar o ano com essa mensagem real de união”, acredita.

Universal

A obra é também uma comemoração aos 45 anos da Cia. de Dança Palácio das Artes. O coreógrafo Rui Moreira foi convidado para assumir a direção coreográfica nesse projeto. O resultado é um espetáculo de dança contemporânea centrado no conceito universal da obra e desvinculando de dogmas religiosos. 

“Fiquei muito contente em trabalhar com uma companhia que tem um trabalho próprio, e concentra bailarinos criadores que conferem uma textura diferenciada para as montagens”, comenta Rui Moreira, que roteirizou as 29 músicas de “Messias”.

Ele garante que o público apreciará um ritual cênico tomado pelos princípios da arte e que permitem uma elevação da alma. “Acho louvável a Fundação Clóvis Salgado oferecer esse presente para a cidade no final do ano. Uma obra que fala da esperança. Fico feliz por poder amarrar esse trabalho”, pontua.

A apresentação tem pouco mais de uma hora de duração e, segundo Rui, a coreografia se baseia nos contrastes. “Teremos a música erudita em cena com os gesto que vêm do território da dança. A música de Haendel permite essa liberdade na criação”, elucida o diretor, que contou com uma equipe técnica de peso, como Pedro Pederneiras, um dos fundadores do Grupo Corpo, à frente da iluminação; a arquiteta Jô Vasconcellos, que assina a cenografia; e Luana Jardim, que assumiu a composição dos figurinos que vêm em tons claros.

Serviço: “Messias”, de Haendel, no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537). Hoje, amanhã e nos dias 20 e 21/12, às 20h30; dia 18, às 19h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)