“Quando recebi o diagnóstico de câncer, eu estava no auge da minha capacidade produtiva, apresentava um programa diário na TV, estava totalmente envolvida com a rotina de trabalho. Mas com ele, recebi também um confronto: a necessidade de lidar diretamente com a perspectiva da morte e de ter que lutar pela vida”, lembra a jornalista Daniella Zupo, que compartilha sua jornada de superação contra a doença em seu livro de estréia “Amanhã Hoje é Ontem” (Ed. Ramalhete) que lança neste sábado, na livraria Quixote.

Homônima à série documental lançada pela jornalista no ano passado, no YouTube, a obra transborda as próprias questões da doença, apresentando também sua caminhada em busca do autoconhecimento e da redescoberta da vida e das alegrias cotidianas. “O livro é meu olhar sobre essa jornada, mas sobretudo meu olhar sobre a vida, porque foi uma experiência totalmente transformadora”, avalia a jornalista. “Não digo que se eu pudesse escolher, passaria por isso novamente, porque sei a exatamente a dureza do tratamento, o medo que o diagnóstico nos causa. Mas existe um potencial nisso. Uma vez que acontece com você, e pode acontecer com qualquer um, existe uma possibilidade de sair dessa não mais amargurado e pessimista do que você entrou, mas olhando para a vida com um olhar de gratidão e esperança”, completa.

Formatado em crônicas, ensaios e contos, o livro é uma espécie de diário e a forma que Zupo encontrou para falar sobre o câncer de uma maneira diferente. “Achava que tinha algo que só eu podia dizer. Não no sentido arrogante, mas no sentido da experiência”, diz. “Eu não sabia que o preconceito era tão grande. Algumas pessoas não falam a palavra câncer e isso é muito sintomático, como se fosse uma palavra maldita, como se trouxesse uma energia ruim”, conta. “Decidi falar disso porque queria não só combater o preconceito, como também queria falar de uma maneira diferente. Quis lançar um olhar menos amedrontador, menos preconceituoso e menos estigmatizado”, diz a autora.

Amanhã Hoje é Ontem

Mais do que o título do livro, a frase representa também um mantra para Zupo, tanto que ela o leva tatuado no braço. “A frase é da minha filha, uma pergunta que ela me fez aos cinco anos e eu guardei. Quando decidi contar essa história, me lembrei imediatamente dela”, recorda. “Funcionou para mim como uma oração, como um pensamento norteador, que iria me ajudar a seguir em frente. É uma constatação da nossa impermanência, em relação a nós mesmos e também em relação ao que nos acontece, seja bom, seja ruim”.

É seguindo este caminho que a autora compartilha os registros escritos durante seu tratamento. “O livro concentra tudo que eu aprendi. Sem pretensão nenhuma de ensinar nada para ninguém. Não é uma receita de como encarar um diagnóstico. Mas pode inspirar alguém para enfrentarem isso ou até ser uma inspiração para a vida”, afirma.

Serviço: Lançamento do livro “Amanhã Hoje é Ontem”, sábado , às 11h, na Quixote Livraria (Rua Fernandes Tourinho, 274 – Savassi)