Nazaré Tedesco está de volta. E, claro, como ela nunca chega de qualquer jeito, abalou as redes sociais na última semana. O nome da vilã ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter, ganhou mais uma série de memes na web e aumentou a audiência do “Vale a Pena Ver De Novo” (Globo), que reprisa a novela “Senhora de Destino”, de Aguinaldo Silva. 

Naza é, com certeza, uma das vilãs mais marcantes das telenovelas, mas não está sozinha. Quem nunca ouviu falar de Odete Roitman (Vale Tudo)? A novela foi exibida há 28 anos e, muita gente nem nascida naquela época, em algum momento já se deparou com o nome da antagonista. 

E tem ainda Carminha (Avenida Brasil), Perpétua, (Tieta) e Laurinha Figueroa (Rainha da Sucata), só para citar algumas brasileiras. O público também manteve os olhos atentos aos ataques maquiavélicos das criações mexicanas, como Soraya Montenegro (Maria do Bairro) e Paola Bracho (A Ursurpadora).

Não que não haja “bons” vilões. Félix, de “Amor à Vida” (2013-2014), de Walcyr Carrasco, por exemplo, agradou tanto que o público até torceu para ele se dar bem, como acabou ocorreu no fim da novela. Mas verdade seja dita: elas arrasam! E qual seria a explicação para isso? “Tem tanta imposição sobre qual seria o papel da mulher na sociedade, que os aspectos mais transgressivos recaem sobre elas também. A vilã atrai tanta atenção porque é desajustada, não quer ser recatada como pede a sociedade”, avalia Reynaldo Maximiano, doutorando em Comunicação na UFMG, pesquisador de teledramaturgia e professor de Jornalismo da UNA. 

Seja homem ou mulher, o fato é que, sem uma dose de maldade, os folhetins não teriam a menor graça. “O vilão movimenta a trama e levanta discussões como: vou confiar em quem, na justiça ou na vingança? Isso acontece porque o sentimento de impunidade é compartilhado, diz muito sobre como nossa sociedade se organiza”, afirma.

Fã de telenovela, a jornalista Letícia Murta acredita que é o lado cômico das personagens o motivo do fascínio. “Se elas só fazem os outros sofrerem não é tão legal. O humor tira o peso e, assim, o vilão sai da nossa realidade, porque a gente não o leva pela maldade, mas, sim, por sua insanidade”, afirma ela, que é dona de uma cadelinha chamada Nazaré Tedesco.

Um antagonista bem construído rouba a cena

Apesar do histórico de tantos antagonistas “bem-sucedidos”, é difícil prever o que vai cair no gosto do público, pontua o roteirista, dramaturgo e escritor Doc Comparato. Porém, ele enumera alguns pontos que todo autor deve levar em conta na hora de montar um vilão. 

Antes tudo, ressalta Comparato, o mesmo cuidado que se tem para construir um herói deve-se ter na hora de criar o antagonista. “É também um ponto fundamental o personagem estar adequado à história”, assinala.

Um aspecto a ser considerado é a maneira de falar, que deve ser uma marca da criatura. Um exemplo: “Óxente, mai Gódi!”, bordão de Maria Altiva, de “A Indomada”, ficou no imaginário popular. “Tudo que ele pensa, ele fala. É muito sincero, fala das maldades que vai fazer”, completa. 

Já a escolha do nome tem que ser precisa, forte, assim como Odete Roitman e Laurinha Figueroa. 

Verossímil
“O personagem tem ainda que parecer real. Ele precisa ter a maldade como ponte para a realidade, assim como o herói faz uma ponte para o bem”, prossegue Comparato. Ter um objetivo na trama é imprescindível. Possuir um “calcanhar de Aquiles” é outra coisa que deve fazer parte. 

“O vilão tem que ter contrastes, que é quase um ponto fraco. Na novela de Aguinaldo Silva (“Senhora do Destino”), Nazaré tinha um amor por aquela ‘filha’ e até mata os outros para ficar com ela”, exemplifica.

Por fim, Comparato considera que um bom antagonista não deve se redimir das crueldades. “Ele não faz nada daquilo facilmente, há sempre uma dificuldade, mas não há arrependimento”, sublinha. 

Elas são más! Relembre algumas vilãs que marcaram as telenovelas: