O formato compacto pode até enganar à primeira vista, mas muita coisa cabe nos três minilivros que a escritora mineira Malluh Praxedes lança nesta segunda (25) em BH. Nas obras, a autora explora o universo feminino, memórias e compartilha até mesmo relatos pessoais e sinceros sobre violências sofridas ao longo da vida. 

Embora os livros trilhem caminhos distintos, a decisão de lançar “Alguém Em Mi”, “Nem Mulheres, Nem Muralhas” e “O Olhar da Bailarina” de uma só vez tem justificativa. “Com os três, eu completo 18 livros escritos e o ano é 2018, então vai tudo se encaixando”, coloca Praxedes, apostando na coincidência. 

Não faltou material para que ela colocasse em prática a ideia do lançamento triplo. “Eu adoro escrever e escrevo o tempo todo”, reconhece a autora, que recorreu a um arquivo no computador, onde guarda as produções, para dar forma às obras. 

Com lançamento triplo, mineira Malluh Praxedes chega a 18 livros publicados

Com lançamento triplo, mineira Malluh Praxedes chega a 18 livros publicados

Densidade

Nos pequenos livros, de pouco mais de 50 páginas cada, temáticas bem específicas. A mais pessoal e difícil foi registrada em “Nem Mulheres, Nem Muralhas”, em que a escritora relata aquilo que ela nomeia como “invasões bárbaras”. 

“Falo que ele é a carne do sanduíche, a parte mais pesada entre os três”, aponta. Ela conta que a ideia de colocar no papel as violências, sexuais ou não, sofridas ao longo da vida surgiu em uma das sessões de terapia – é inclusive seu terapeuta, o também escritor Salomão Polakiewicz quem assina o prefácio.

Apesar da experiência difícil – em um dos textos, a autora recorda um episódio em que quase foi violentada, aos 11 anos de idade –, ela avalia que a experiência foi positiva no final. “Foi um alívio. Eu me senti livre de carregar essas angústias”, confessa. 

Embora explore temas espinhosos, há também leveza no “sanduíche” de Praxedes. Nos 20 contos que compõem “Alguém Em Mi”, a autora mergulha nas questões femininas. “Minhas produções sempre são muito voltadas para essa temática. Na minha casa, éramos sete mulheres, minha mãe e seis filhas. Então, essas questões sempre foram coisas muito recorrentes”, lembra. 

Música

É também à experiência que ela recorre em “O olhar da Bailarina”, onde mistura memórias a canções variadas. “Toda a minha vida sempre teve uma trilha sonora”, afirma. A música permeia inclusive a carreira profissional: Praxedes já produziu discos, é letrista, compositora e foi idealizadora do Prêmio BDMG Instrumental.

Para além da música, a obra é homenagem à criança que um dia foi. “Gostava muito de dançar e jurava que seria bailarina. Mas como nasci no interior, lá não tinha escola de dança e os recursos que temos atualmente”, recorda. “Mas, até hoje, ainda tenho esse olhar de menina bailarina. Quero ver o plasticamente belo e enxergar a música junto”, admite. 

Serviço
Lançamento de três livros de Malluh Praxedes, hoje, às 19h, no Contos – Bar e Restaurante (Av. Francisco Deslandes, 446, Anchieta). Entrada gratuita. Livros: R$ 20 (cada)

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