“Quem sabe?”, responde o saxofonista Thiago França, fazendo ar de mistério ao falar sobre quais seriam as “coisas inéditas” que o Metá Metá prepara para o show de hoje n’A Autêntica, mais especificamente se, entre elas, estaria uma amostra da trilha que o grupo paulista está fazendo para o novo espetáculo do Corpo.

“A trilha está sendo criada a partir de canções, que é o nosso universo. Mas não é exatamente um disco novo do Metá. Fomos adaptando para a necessidade do balé, em alguns momentos cortando trechos e letras”, adianta Thiago, que é mineiro de BH e forma o trio com Juçara Marçal (voz) e Kiko Dinucci (guitarra).

O Metá Metá está na reta final da gravação da trilha sonora. “Passamos uma semana no estúdio, gravando todos os dias. Depois de gravar toda a estrutura, agora é a hora do acabamento, de bater bola com o Paulo (Pederneiras, diretor artístico do Corpo). Só assim para ter o entendimento da coisa, como tamanhos e músicas”.

O espetáculo estreará em agosto de 2017, seguindo um método adotado pela companhia mineira há pelo menos duas décadas. “A trilha é o ponto de partida. Com ela pronta em dezembro, o Rodrigo (Pederneiras, coreógrafo) começará a trabalhar na dança a partir de 23 de janeiro, após ouvir bastante o material”, explica Paulo.

Candomblé
O diretor salienta que os grupos conversaram bastante, resultando num trabalho “muito bonito”. Para ele, “de tudo que tem visto ultimamente dentro da cena musical, o Metá é o que há de mais novo e contemporâneo”. E adianta que a música africana, tendência cada vez mais forte da banda, marcará presença no espetáculo.

“Não que fosse essa a nossa intenção, mas está acontecendo naturalmente, pois o grupo se move pelas mesmas sonoridades. A inspiração no candomblé é uma proposta deles e estará na trilha também. Tanto que eles sugeriram o nome ‘Exu’ para o espetáculo”, registra Paulo.

Grupo Corpo realiza temporada popular dos espetáculos “Benguelê” e “Lecuona”. O programa duplo será entre os dias 13 e 18, no Cine Theatro Brasil, de terça a sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. Ingressos a partir desta segunda, por R$ 20 e R$ 10 (meia)

Todas as canções foram gravadas como se fosse ao vivo, mesmo processo do terceiro disco do Metá, “MM3”, que serve de base para o show de hoje. O CD, por sinal, foi eleito como o melhor do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), notícia que Thiago teve acesso poucas horas antes da entrevista ao Hoje em Dia.

“Estou super feliz porque a APCA é um dos poucos prêmios que não tenho restrição nenhuma. É um negócio sério, sabe? Nunca fui chegado em listas, essas coisas. Sou meio imune a críticas e elogios, pois são o caminho para enlouquecer qualquer artista. A gente faz esse trabalho porque acredita nele”, assinala.

Ele reconhece, porém, que o Metá vive um grande momento. “Tirando o dinheiro, está tudo ok!”, brinca. E confessa ansiedade para ver, no palco, o que as canções inspiraram. “Será emocionante. Sou de BH e o Corpo teve uma onipresença impossível de escapar. É muito emblemático. Sempre senti um orgulho enorme deles”.

Serviço: METÁ METÁ – Lançamento do CD “MM3”. Hoje, às 22h, n’A Autêntica (rua Alagoas, 1172). Por R$30 (antecipado) e R$ 40 (porta)