Para José Eduardo Angalusa, o sonho é um lugar que parece quase real–nas suas escrituras e na suas convicções. “É um campo que sempre passo, sou um sonhador involuntário”, reconhece, fazendo menção à obra que o traz hoje à capital mineira, “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários”.

O escritor angolano é o convidado do Sempre Um Papo para o debate e o lançamento, às 19h30, no auditório da Cemig, com entrada gratuita. A mediação será feita pela jornalista e escritora Leila Ferreira.

Como ele assume, o onírico é mesmo fonte de farto material para sua obra e vida. “Sonho com endereços, títulos. Personagens se apresentam pra mim nessa situação, eles me ajudam muito a escrever. Há tempos, queria fazer um livro com essa temática, que me ajudasse a trabalhar neste mistério”.

No romance, o jornalista Daniel Benchimol sonha com pessoas que não conhece. Moira Fernandes, artista plástica moçambicana radicada na Cidade do Cabo, encena e fotografa os próprios sonhos. Hélio de Castro, neurocientista brasileiro, desenvolveu uma máquina capaz de filmar os sonhos de outras pessoas. Hossi Kaley, hoteleiro, tem com os sonhos uma relação muito diversa e ainda mais misteriosa: ele pode caminhar pelos sonhos alheios, ainda que não tenha consciência disso.

Assim, definitivamente, o sonho como metáfora é central para a inspiração do autor. “No mundo em que vivemos, é urgente recuperá-los e inventar novas utopias”, diz.

Serviço: Sempre Um Papo com José Eduardo Agualusa, hoje às 19h30, no auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1220, Santo Agostinho). Entrada gratuita.