Frei Betto adiciona mais três livros ao seu vasto repertório de produções. Com “Ofício de Escrever” (Rocco), “Parábolas de Jesus – Éticas e Valores Universais” (Vozes) e “O Budista e o Cristão” (Fontanar), o frade escritor completa 62 obras publicadas – isso sem levar em conta os trabalhos de co-autoria.

Lançando amanhã os três novos livros no “Sempre um Papo”, às 19h30, Frei Betto, que também é colunista do Hoje em Dia, não nega a relação com a escrita. “Sou um escritor compulsivo”, confessa o frade, que revela não conseguir ficar 48 horas longe das letras. Apesar do lançamento múltiplo ser uma coincidência de mercado, as obras acabam tendo como vínculo inegável a escrita, tão presente na vida de Frei Betto e destrinchada na primeira das três obras.

Em o “Ofício de Escrever”, Frei Betto discorre sobre a própria relação com a atividade. Por meio de depoimentos autobiográficos, o autor fala de influências familiares, escolares e também do ato de escrever como parte significativa da vida dele. 

Filho de escritores – o pai colunista e a mãe autora de livros de culinária –, Frei Betto teve a escrita presente na vida dele desde muito cedo. A vivência em um convento, que proporcionou o convívio com milhares de obras disponíveis na biblioteca, além da formação como jornalista e o trabalho como repórter impulsionaram ainda a atividade. Mas, como ele conta, foi a partir da experiência na prisão que passou de escritor a autor, com a publicação de obras.

No livro, Frei Betto vai além de si, discorrendo sobre a obra de autores como Shakespeare, Cervantes, Tomasi di Lampedusa, Saint-Exupéry, T.S. Eliot e também os mineiros Bartolomeu Campos de Queirós e Adélia Prado, abordados com carinho pelo frade, que produz a partir das próprias experiências e influências uma espécie de manual sobre o ofício.

Ensinamentos atuais
Sem deixar o caráter didático de lado, Frei Betto compartilha ensinamentos universais na obra “Parábolas de Jesus – Éticas e Valores”.

Contextualizando 33 parábolas, o frade traz uma releitura dos “causos” contados por Jesus Cristo. “É uma forma de traduzir essas mensagens tão antigas, mas ao mesmo tempo tão atuais, e trazer os valores pregados e encarnados por Jesus”, define Frei Betto, que afirma encerrar com a nova obra uma trilogia de atualizações de textos bíblicos – que incluem os livros “Um Homem Chamado Jesus” (Rocco), com quatro evangelhos em forma de romance, e “Oito Vias Para Ser Feliz” (Planeta), que trata das oito bem aventuranças do Evangelho.

Diálogo inter-religioso
A partir de um convite da Companhia das Letras, detendora do selo Fontanar (pelo qual foi publicado “O Budista e o Cristão”), Frei Betto e o jornalista Heródoto Barbeiro, budista há mais de 40 anos, dialogam sobre as semelhanças e diferenças entre o budismo e o cristianismo. 

Em um período marcado pelo fundamentalismo religioso, levado a extremos em diferentes partes do mundo, o livro surge como um convite ao respeito e à conversa entre seguidores de diferentes crenças. “É um livro favorável ao diálogo. Ele resgata os valores positivos das grandes religiões”, define Frei Betto.

Serviço:
Frei Betto lança os livros “Ofício de Escrever” (Rocco), “Parábolas de Jesus – Éticas e Valores Universais” (Vozes) e “O Budista e o Cristão” (Fontanar) no Sempre um Papo, às 19h30, no Auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1.200, Santo Agostinho). A entrada é gratuita.