Sebastião é apenas um garoto, mas o protagonista de “As Árvores Invisíveis” (Páginas Editora), que a escritora, publisher e jornalista Leida Reis lança no próximo dia 9 de junho poderia ser qualquer um de nós. Deslumbrado pelos encantos e exuberância das árvores que compõem as florestas, o menino deixa passar desapercebida a vegetação que o rodeia, que também faz parte d a paisagem urbana. Para ele, elas são como criaturas estranhas e sem cor.

“Tenho um interesse desde criança pela natureza, mas percebi que também não dou importância e não enxergo as árvores da cidade. Sou como o Sebastião, sempre as relacionei às florestas. Árvores da cidade eram meras coadjuvantes”, confessa a escritora. Foi a partir desta percepção que surgiu a inspiração para a obra, a terceira tentativa da autora de produzir um livro infantil (para o público adulto, já foram quatro lançamentos) “Esse foi o primeiro livro que achei que estava pronto para a publicação”, conta Reis. O processo de produção da obra corrobora para este entendimento: da ideia à finalização, foram três meses. “Eu já estava procurando um texto, mas ainda não eram aqueles”, diz a autora.

Não por acaso, ela já havia tentado outras vezes, mas a autora acredita que escrever para crianças é mais difícil do que escrever para adultos. “É um desafio. O público infantil é mais exigente. Ele não vai até o final do livro se a obra não for interessante. Acredito que você tem que ser mais inteligente para escrever para criança”, pontua. Mas existem também as glórias de se direcionar a esse nicho. “São leitores mais abertos para uma formação. É muito mais difícil educar um adulto para a leitura, com a criança essa possibilidade é maior”, acredita.

Olhar

Calcado principalmente na relação com o meio ambiente, a escritora não esperava que o livro fosse ganhar também outras interpretações. Uma delas foi apontada pelo premiado escritor Daniel Munduruku, que assina o texto da quarta capa. “Ele aponta essa questão do olhar, de não enxergarmos as coisas à nossa volta. Para mim, a questão das árvores era a mais forte, mas ele trouxe esse entendimento”, afirma Reis.

Na obra, a escritora coloca em cena um acontecimento real para chamar a atenção ao que fica invisível – fruto de sua experiência como jornalista, ela reconhece: o incêndio na Casa da Árvore, que aconteceu em 2017 em Belo Horizonte. O episódio, que envolveu o fim de uma biblioteca mantida por moradores de rua debaixo de uma árvore, foi uma ignição para a escritora. “Trouxe essa experiência, e é nesse momento, absurdo e cruel, que o Sebastião começa a enxergar, começa a ver que as árvores existem também na cidade”, explica. “Pelas tragédias vamos aprendendo a olhar e a perceber as coisas e as pessoas”, conclui.

Serviço: Lançamento do livro “As Árvores Invisíveis”, de Leida Reis, dia 9 de junho, de 9h às 13h, no Parque Rosinha Cadar (Rua Rodrigues Caldas, 315 – Santo Agostinho). Entrada gratuita.