Rico de natureza. Pobre de igualdade. Com os olhos no passado e os pés no presente, o espetáculo de dança “Sublime Travessia”, da dançarina Dudude, fala em tom reflexivo sobre esses “brasis” cheio de controvérsias. A estreiam será nesta sexta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH) e segue em cartaz até 12 de dezembro.

Desde 2014, quando ganhou o prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, Dudude queria o trazer o projeto “Sublime Travessia” para os palcos. Viajando pelo Brasil inteiro com “A Projetista”, o plano, contudo, foi adiado. Sorte do público. “Fui observando esse país e fui tendo um desejo de falar sobre essa potência”, conta. 

A obra faz uma “travessia” pelas terras tupiniquins onde, por exemplo, rios, agora minguados, já transbordaram um dia. Montanhas, florestas, povos; nada foi poupado.

 

A curiosidade impulsionou um mergulho na história brasileira e nos hinos nacionais que, em geral, clamam por amor à pátria e falam de múltiplas riquezas. “Achei isso antagônico, pois estamos vendo rios sendo destruídos, além desse ‘desgoverno’ e pausa do sentimento de pertencimento”, critica a artista.

O sublime, ela diz ficar mesmo por conta da coreografia. “Me apoio num corpo sensível, no híbrido da arte, que pode captar com suas antenas um lugar mais macio de existir”, afirma.

Serviço:

“Sublime Travessia”, de Dudude, às 19h. De 2 a 5/12 e de 9 a 12/12, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)