É a partir do encontro hipotético entre a cantora francesa Edith Piaf e o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, dois dos artistas mais importantes do século XX, que se constrói o enredo de “A Vida Em Vermelho – Brecht e Piaf”, em cartaz em Belo Horizonte no final de semana.

No texto de Aimar Labaki, a reunião entre as emblemáticas figuras tem como ponto de partida a história de dois artistas que desejam produzir um espetáculo, mas que durante os ensaios, se veem diante de um impasse. Bertoldo defende o repertório de seu quase xará alemão e Edith tenta provar o contrário: Piaf é melhor. “Eles propõe fazer uma competição entre os dois”, explica a atriz Letícia Sabatella. Embora haja uma disputa em cena, no palco os atores passam por sucessos dos dois cancioneiros, como “Baladas de Mackie Messer” e “Ópera dos Três Vinténs”, de Brecht, e “Padam, Padam” e “Milord”, de Piaf.

Para Sabatella, intérprete das músicas da francesa no palco, as canções foram um desafio “Elas são trava-línguas”, confessa. Mas o mergulho na história da chanteuse definitiva lhe rendeu outros frutos e inspirações. “Ela é uma grande partitura para eu praticar a minha intensidade, ter uma margem para correr o rio emocional, ser forte. Uma marca que me ajuda a me desenvolver nesse sentido”, diz a atriz, que no espetáculo se junta ao marido Fernando Alves Pinto. “Ele é o melhor parceiro do mundo, por isso me casei com ele”, derrete-se a atriz, que dividiu o palco com ele também em outras ocasiões, como com o grupo musical Caravana Tonteria, em que os dois são integrantes.

Humor

Apesar de histórias difíceis e até mesmo trágicas, o espetáculo tem como base o humor. “Brincamos muito com a força da peça brechtiana. Embarcamos numa emoção, que é dinâmica. O espetáculo deixa as pessoas emocionadas, mas fortes diante das dificuldades e das tragédias da vida”, ressalta Sabatella.

A leveza da peça fica por conta da forma como a trajetória dos artistas é contada. “Os personagens se provocam ao mesmo tempo em que contam as histórias de Brecht e Piaf”, explica. “Brincamos um pouco com isso, inspirados na dupla de clowns clássicos, como o gordo e o magro”, sublinha a atriz.

Para ela, o diálogo entre as figuras, que a princípio podem parecer tão opostas, é construído também pelo que Piaf e Brecht representam. “Eles deram voz aos oprimidos, aos marginais”, diz. Ainda que transporte para o palco figuras do século passado, o espetáculo é significativo na contemporaneidade. “A peça traz essa força do resiliente. Eles são pessoas que passaram por guerras. Viveram o fracasso, perderam e se recuperaram. É também uma aula de superação”, acredita Sabatella. “São arquétipos que nos dão força, porque nos dão a entender que os tempos de trevas passam e que há luz”, ressalta Sabatella.

Serviço: Espetáculo “A Vida Em Vermelho – Brecht e Piaf”, amanhã, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60 – Santa Efigênia). Ingressos R$ 50
(inteira) e R$ 25 (meia).