Amado (Saulo Salomão) é um cantor saudosista que espera um sucesso inalcançável; Rara Magia (Luisa Rosa), uma mãe que aguarda a improvável volta do filho; e Bernadet (Carol Oliveira), uma mulher aflita por não conseguir se levantar da cama. Três pessoas que convivem sob o mesmo teto, apoiando-se e, ao mesmo tempo, retro-alimentando frustrações e angústias. Esse é o ponto de partida da história de “Tendência para a Alegria”, espetáculo da Cia. 5 Cabeças, que acontece de quinta-feira (2) a domingo (4), no CCBB-BH, integrando a programação do Verão Arte Contemporânea (VAC) 2018. 

A peça marca um novo momento da companhia, que alternou funções dentro do processo. Um dos atores da trupe, Ronaldo Jannotti assumiu pela primeira vez a direção, enquanto Saulo Salomão desenvolveu a dramaturgia junto ao escritor Louraidan Larsen. “Saulo tinha uma primeira versão do texto e, em 2014, me convidou para dirigi-lo. Então, chamamos Louraidan para compartilhar a escrita. Saulo traz o olhar do ator, já Louraidan contribui com uma visão de cronista”, explica Jannotti.

O diretor pontua que todos os trabalhos anteriores da companhia tiveram dramaturgia e direção de Byron O’Neill, um dos fundadores do grupo. “Queríamos uma alternância de funções e linguagens, mas também não podíamos romper completamente com o que vínhamos fazendo. Portanto, convidamos Byron para a assistência de direção, o que nos deu muita segurança”, afirma. “O espetáculo mantém características do teatro do absurdo, com o qual trabalhamos, mas adiciona elementos novos”, afirma.

Para Jannotti, a peça reflete questões existenciais e sociais da atualidade. “Os personagens têm uma relação que é de apoio, mas que também alimenta frustrações e impede que cada um saia daquela situação. Como se não conseguissem se desvencilhar de seus próprios vazios e tentassem preencher o do outro”, pontua. “Remete ao que vivemos hoje, no Brasil e no mundo. Tudo cada vez mais caótico, não conseguimos ver perspectivas de melhora nem sair da inércia. Por isso, o título é uma ironia dessa máxima brasileira, de um país sofrido em que o povo tenta se manter alegre. Assim, momentos de riso e choro se alternam com fluidez, convidando à reflexão”, diz. 

Janotti ressalta que os trabalhos de cenografia, iluminação, trilha sonora e figurino foram fundamentais para as cenas. “Partimos do conceito de decadência e dependência. Todos essas áreas têm potência cênica e reforçam a dramaticidade do texto”, finaliza.

Serviço: “Uma Tendência para a Alegria” . De quinta-feira (2) a domingo (4), às 19h, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).