“Quero muito falar com você. Minha família é de Belo Horizonte e Juiz de Fora”, registra Dedé Santana, o eterno trapalhão, ao receber a ligação do Hoje em Dia. São vários jornalistas à espera para falar com o comediante que, aos 80 anos, exibe a mesma energia dos bons tempos do quarteto que dominava as telas brasileiras com dois filmes lançados por ano.

Mandried Sant’Anna está novamente na pele de Dedé, no filme “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”, em cartaz nos cinemas. Mas quem quiser vê-lo em carne e osso terá duas chances: a peça “A Última Vida de um Gato” é uma das atrações da43ª Campanha de Popularização Teatro & Dança, com sessões hoje e amanhã, no Grande Teatro do Palácio das Artes.

As raízes mineiras, explicitadas no início da conversa, se devem ao circo, cenário e tema de “Os Saltimbancos Trapalhões”, que, como ele faz questão de frisar, tem uma história diferente em relação ao filme de mesmo nome, lançado em 1981 e um dos maiores sucessos de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. O novo longa tem Didi também, mas é um musical, baseado em peça de Charles Möeller e Claudio Botelho.

“É uma coisa inédita no cinema mundial: dois personagens, Didi e Dedé, que retornam 35 anos depois. Eu, particularmente, fiquei muito emocionado. Nasci no circo. Minha família é toda circense. Quando entro num picadeiro, eu me torno um embaixador do circo no Brasil”, assinala Dedé, que quase saiu do quadro, numa das sequências capitais do filme, quando todo elenco entra no picadeiro. 

“Eu teria que ser um dos primeiros a entrar e ficar ao lado de Renato (Aragão, intérprete do Didi), na frente. Mas fiquei esperando o Mussum e o Zacarias para entrarmos juntos... Acabei me atrasando. Foi a Colinha (Letícia Colin, que faz a filha do dono do circo prestes a ser vendido) que me empurrou para frente. Quase não consegui ir”, lembra.

O Cinema
Sobre voltar a trabalhar com Renato, o trapalhão enxerga no seu parceiro um ator mais maduro. “Gostei muito do trabalho dele. O Renato tem uma comunicação especial com a câmera”, elogia Dedé, que lembra que o trabalho com o humorista cearense começou muito antes dos Trapalhões, em “oito, dez filmes de grande sucesso de bilheteria”.

Sobre o filme de 1981, além da saudade de Mussum e Zacarias, o que mais vem à lembrança é a sua experiência na direção de algumas cenas. “Toda aquela parte dos Estados Unidos fui eu que dirigi. Antes de ser ator, tinha o sonho de ser diretor e fiz um curso com o Ary Fernandes, que criou a primeira série brasileira, ‘Vigilante Rodoviário’. Depois aprendi muito com o J. B. Tanko e o Adriano Stuart”, afirma.

Sobre se concorda com a crítica que o “Os Saltimbancos” de 1981 foi a melhor produção dos Trapalhões, Dedé divide os seus preferidos em categorias: “Robin Hood, o Trapalhão da Floresta” (1973), quando Mussum e Zacarias ainda não estavam no grupo, seria o mais engraçado. Da dupla, ainda elege “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa” (1973) como o melhor filme que fizeram. “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1974) seria “o mais bonito”, em suas palavras. 

Já do quarteto junto, Dedé gosta mais de “Os Três Mosqueteiros Trapalhões” (1981). “Esse é engraçadíssimo e tem de tudo: capa e espada, lancha, barco...”. Para ele, não era fácil ser Dedé. “Lidar com comediante é dificílimo. Imagine preparar a piada para três? Com cada um tinha que trabalhar de um jeito”.

 

A Peça

 

Dedé Santana
O mineiro Felipe Cunha contracena com Dedé no teatro

 

Em “A Última Vida de um Gato”, ele interpreta um aposentado que parece ter desistido de viver. “Pela primeira vez eu não faço o Dedé. É um personagem mais sério e quase não fiz, porque não sou ator de teatro. Foi minha filha quem falou para eu dar uma lida no texto, pois não custava nada. Quando li, eu me apaixonei”, conta Dedé, que revela o desejo de transformar a peça em filme.

 

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