A Polifônica Negra ocupa diferentes espaços da capital a partir de hoje. Toda gratuita, a programação do evento se estende até domingo, reunindo artistas e coletivos de Belo Horizonte e de outras cidades brasileiras ligados à arte negra.

A Polifônica surgiu da necessidade de se discutir o processo criativo, principalmente na arte negra. “Sentimos que a gente pouco se encontrava para discutir, para falar sobre nossos processos, nossos desejos e nossas incertezas”, explica Aline Vila Real, uma das curadoras do evento, ressaltando que a polifonia vai além do nome.

“Temos o interesse de ouvir diversas vozes sobre a arte negra. A ideia é convidar artistas de áreas distintas para refletir sobre o que temos produzido”, explica Aline. “Queremos mostrar o que os artistas estão buscando, o que estão pensando”, completa.

Mulher

O olhar feminino dita a abertura do evento, que conta com a pré-estreia do novo espetáculo do coletivo Negras Autoras, composto por cantoras, compositoras e atrizes. A direção é de Grace Passô.
 
“O espetáculo é um show cênico-musical, que traz esse lugar do universo da mulher negra com a contemporaneidade”, afirma Aline, que também integra o coletivo.

Como ela explica, a apresentação busca discutir e pensar a existência da mulher negra do mundo, levando em conta sua ancestralidade e fazendo uma projeção do que está por vir. “Abrimos o evento com o olhar feminino. Com essa voz feminina, que é uma voz coletiva e diversa”, conta.

Genocídio e racismo

Além da questão feminina, o evento também se abre para outras discussões. “Na sexta-feira, o coletivo Selo Homens de Cor vem com uma versão de rua, um manifesto. Na performance ‘Panfleto Itinerante’, eles trabalham a questão do genocídio da juventude negra”, antecipa Aline.

A curadora também destaca o trabalho da Companhia Brasileira de Teatro, que apresenta um embrião de um espetáculo que trata do racismo. “Queremos trabalhar essas questões também”, afirma Aline

Semana Afro-Latina apresenta Itiberê & Grupo

O processo criativo e as artes negras – e também latinas – continuam como pauta na cidade, na 4ª Semana Afro-Latina. O evento, que acontece até sábado na Fundação de Educação Artística e no Necup, traz, além de oficinas de percussão e música universal, uma apresentação de Itiberê Zwarg & Grupo.

“Eu vejo nesse evento uma possibilidade de se fazer algo universal. Porque, se você for ver, a América Latina foi colonizada por vários povos. Quando você junta todos eles, todas essas culturas, você tem a possibilidade de ter uma coisa completamente universal. Multicolorida”, afirma Itiberê Zwarg.

“Na música, que é a minha área, essa união cultural me dá oportunidade de promover essa universalidade”, completa o músico, que ministra uma das oficinas oferecidas pela Semana Afro-latina e sobe ao palco na sexta-feira, às 20h, na Fundação de Educação Artística (rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). Ingressos gratuitos, distribuídos com 1h de antecedência.