O excesso de informação, tão característico da sociedade atual, e a consequente desinformação provocada pela variedade de conteúdos disponíveis, dão partida para o questionamento proposto pela exposição “Babel – Miguel Gontijo”, que ocupa a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, a partir de amanhã, com visitas gratuitas até o dia 20 de agosto.

Ao todo, são mais de 60 obras inéditas, entre pinturas, desenhos, assemblages, objetos e instalações.

Como sugere o título, a exposição, que teve seu processo de produção iniciado em meados de 2016, recorre à história da torre de Babel, que surge como uma metáfora para analisar o mundo atual e, principalmente, a questão da informação na contemporaneidade.

“Babel é um mito pensado de várias formas, e todas essas formas estão presentes na exposição”, garante Augusto Nunes-Filho, presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), que também assume a curadoria da mostra.
“Através das obras, a linguagem é problematizada. E, nisso, o Miguel vai fundo. Ele problematiza a escrita, a leitura e a imagem”, afirma o curador.

Para ele, “Babel” suscita o questionamento sobre a informação, seu lugar na sociedade contemporânea e, também, seu conteúdo. Além de provocar questionamentos individuais. “Não é uma exposição em que todos sairão com a mesma opinião. Ela se presta a leitura individual de cada um que a visita”, garante.

A individualidade possibilitada pela mostra fica evidente também nos percursos disponíveis. “É o visitante quem faz o seu caminho. Não existe um sentido obrigatório”, destaca o curador. “São sempre duas ou mais opções para seguir”, completa.

Em sintonia com a proposta de Gontijo e, também, com o que é evocado pelo mito da torre de Babel, a exposição é provocadora na forma como é organizada. “Você passa por labirintos. Quando você pensa que chegou a algum lugar, você cai em outro labirinto”, explica Nunes. “Desta forma, você cria uma superfície que não tem fim, você fica girando. A sala Babel provoca um pouco disso”.

A torre

Dando nome e direcionando o questionamento proposto por Gontijo, a torre de Babel também se faz presente como uma grande instalação.
A polifonia de linguagens e do próprio monumento são destacadas por Nunes, que também ressalta a utilização de mais de 500 objetos em sua construção.

Apesar do destaque ao monumento, o curador salienta a importância da exposição como um todo. "O conjunto das obras é muito impactante, além da inquestionável qualidade do trabalho do Miguel. É uma exposição que vai provocar muito questionamento e reflexão”, conclui.

Serviço: Exposição “Babel – Miguel Gontijo” na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro). Visitas gratuitas de terça a sábado, das 9 às 21h, e aos domingos, das 16 às 21h. Entre os dias 19 de maio e 20 de agosto.