Representações que colocam em cena o homem comum, longe de idealizações. Foi a partir deste recorte temático que a galeria Casa – Obras Sobre Papel construiu a exposição “Prosaica Humanidade”, que ganha, na quarta-feira, um catálogo reunindo todas as 37 gravuras exibidas na mostra.

Thyer Machado, um dos curadores da exposição, conta que a publicação é a terceira feita pelo espaço. “Além do registro da exposição, nossa intenção é fazer com que essas obras circulem e que o nosso trabalho seja divulgado, já que começamos em outubro de 2015. Somos um espaço relativamente recente”, pontua.

Composto por todas as obras expostas, o catálogo reúne também informações sobre os artistas e textos de Mariana Lage, doutoranda em Filosofia, do músico e fotógrafo Alê Fonseca e do professor de gravuras da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) George Gütlich.

“Prosaica Humanidade” foi a segunda exposição produzida a partir do acervo da casa e surgiu a partir do próprio interesse dos curadores pelo expressionismo. “São imagens que tem uma carga mais dramática e expressiva mesmo. Resolvemos abarcar, para além da tragédia e do sofrimento humano, que são característicos desse estilo, o homem comum, a questão do trabalho, da vida banal, a miséria. Fizemos uma curadoria com esse apelo social”, sublinha;

Reunindo apenas gravuras, a exposição apresenta trabalhos de nomes como Francisco de Goya, Käthe Kollwitz, Evandro Carlos Jardim, Marc Chagall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz. “São obras que já carregam esteticamente a sua marca e têm uma linguagem plástica bem definida que colabora com esse tipo de representação, com a dramaticidade e com a atmosfera do tema”, destaca o curador.

Ele sublinha ainda a importância da apresentação das obras, principalmente por apresentarem esse olhar sobre o comum. “Essas representações não são uma coisa nova na história da arte, mas é sempre importante voltar-se para o aspecto mais trivial da humanidade. Da nossa labuta diária”, afirma.

Apesar de não ser definida a partir de uma cronologia, o catálogo reúne obras produzidas desde o século XVIII aos dias atuais. “A obra mais antiga é do Francisco Goya, que retrata figuras em situação de miséria. Uma das mais recentes é de 2015, um retrato da crise dos refugiados”, conta Machado. “São cenários que não mudam muito na história da humanidade. O sofrimento e as situações trágicas ou mesmo o trabalho braçal são recorrentes. É sempre importante voltar o nosso olhar para essas questões”, acrescenta.

Serviço: Lançamento do catálogo “Prosaica Humanidade”, quarta-feira, na Casa - Obras Sobre Papel (av. Brasil 75 – Santa Efigênia), às 19h30. Entrada gratuita.