Parte do acervo do Museu da Língua Portuguesa, fechado desde 2015 após um incêndio, chegou nesta quinta-feira (26) a Paraty atualizado com novas expressões do português e contribuições de países africanos lusófonos.

A exposição itinerante A Língua Portuguesa em Nós, que já percorreu Cabo Verde e Angola, está agora na cidade da Flip e inclui áudios gravados por moradores desses países para fazer parte do acervo do museu. Em Paraty, o público que veio de várias partes do Brasil também pode contribuir com as gravações e marcar seu sotaque e vocabulário na história da língua portuguesa.

A exposição continua em cartaz em Angola e em agosto chega a Moçambique. Diretor da EDP, empresa patrocinadora do museu e das exposições itinerantes, Luis Gouveia conta que a exposição já mostra um museu que está se renovando apesar de ter sido fechado pelo incêndio.

"Não precisamos esperar o museu ser reaberto fisicamente, porque a língua está sempre em construção", diz ele, ao destacar que a ação em Paraty busca mostrar ainda a importância da língua para a gastronomia e a música dos países lusófonos.

Gouveia conta que a previsão para a reabertura do museu é o segundo semestre do ano que vem e que as obras da cobertura já foram concluídas: "vamos começar o interior, toda a parte tecnológica do museu".

Língua viva

Materiais audiovisuais do museu foram trazidos para a exposição na Casa de Cultura de Paraty, como a linha do tempo que originalmente tinha 30 metros de cumprimento e agora ocupa uma parede no terceiro andar do sobrado.

Também é possível obter informações sobre os demais países falantes do português, saber sobre seus principais autores e identificar onde estão no mapa mundi, coincidindo com as correntes de vento que guiaram as caravelas portuguesas por três oceanos.

A gerente de projetos da Fundação Roberto Marinho, Deca Farroco, conta que a exposição itinerante pela África foi um pedido do Itamaraty e busca informar ao público também sobre os conflitos que estão na formação do português moderno, como as aquisições de vocabulário durante a colonização e a escravidão. Desde essas influências até o "internetês", a exposição mostra que a língua é viva.

"Essa linha do tempo vai até hoje. A língua está sempre em conformação e estamos sempre criando e recriando em cima dela".

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