A exposição “O Corpo é a Casa”, que traz ao Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB-BH), mais de 40 obras do artista plástico austríaco Erwin Wurm, entra em cartaz nesta quarta (19). Mas as primeiras obras, instaladas na semana passada, já causaram impacto para quem passava pelo lugar.

Na área externa do CCBB-BH, mesas, cadeiras e até mesmo uma cama ocupam de forma incomum o espaço. “No momento em que esse objetos são colocados na fachada, eles perdem sua função original. Deixam de ser o que são e transformam-se em uma escultura”, explica Marcello Dantas, curador da exposição. 

O questionamento sobra a capacidade de um objeto ser reconhecido ou não como arte é característico do trabalho do artista, aponta Dantas. “Ele expande a compreensão sobre o que é escultura. Para Wurm, elas são uma ação de troca de energia, de construção do simbólico”.

Reflexões

O austríaco questiona não apenas a compreensão sobra a escultura, mas também os valores da sociedade contemporânea através da apresentação de elementos do cotidiano sob novos aspectos. 

Antes inanimados, objetos comuns ganham vida orgânica. Por exemplo, na obra “Fat House” (Casa Gorda, em tradução literal), uma residência é expandida, distorcida e surge com duas toneladas. 

erwin wurm

CRÍTICA – O austríaco questiona a sociedade atual 

Este gesto artístico se repete em outras obras da mostra, de forma impactante. “Ele transforma um (carro) Porsche em escultura. Transfigura o ato das pessoas e o espaço em algo escultural”, diz o curador.

A interação também é uma característica fundamental do trabalho de Wurm. Em “One-Minute Sculptures” (Esculturas de um minuto, em tradução), o artista inclui os visitantes na própria obra, no tempo indicado. O elemento cômico também se faz presente. “Isso é muito legal nas obras dele. Ele usa o humor como uma forma de aproximação com o público”, destaca Dantas.

]Serviço: Exposição “O Corpo é a Casa” no CCBB-BH (Praça da Liberdade 450–Funcionários), de amanhã até 18 de setembro. Mais informações (31) 3431-9400