Fomentar a produção literária e incentivar o hábito da leitura são desafios de um país que ainda lê muito pouco. Em 2014, por exemplo, mais de 70% dos brasileiros declararam não ter lido nenhum livro, de acordo com pesquisa feita pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro. Entre as iniciativas para mudar essa realidade, surgiu o Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), em 2015. Bienal, o FLI-BH promove sua segunda edição entre esta quinta-feira (14) e domingo (17), no Centro de Referência da Juventude. 

Realizado pela Fundação Municipal de Cultura (FMC), em parceria com a terceira edição da Primavera Literária, da Liga Brasileira de Editoras Independentes (LIBRE), o evento chega com mais de 200 atrações. A v0lumosa programação inclui mesas de debates, oficinas, saraus, shows, narrações de histórias, exposições, mostra de cinema e literatura, bibliotecas para bebês, intervenções e sessões de autógrafos.

As atividades se aglutinam no tema “Vozes de Todos os Cantos”, que lança um olhar sobre a diversidade na produção literária. “A valorização e a promoção de autoras e autores considerados marginais é uma das principais diretrizes. Assim, nas vozes de muitos cantos, estão as historicamente silenciadas, como as das mulheres, dos negros, dos indígenas, dos poetas das ruas e das periferias, dos LGBTs”, explica Fabíola Farías, coordenadora geral do FLI-BH.

Outro ponto desta edição é a homenagem à poetisa mineira Laís Corrêa de Araújo (1929-2006). “Ela foi uma poeta de escrita sofisticada e forte, cuja obra ficou restrita ao meio acadêmico e a leitores experientes. Queremos que mais pessoas conheçam seus poemas”, diz  Farías.

A coordenadora conta que a programação foi elaborada para atender crianças, jovens e adultos. “São três perspectivas, a da sensibilização, da formação e do diálogo com outras linguagens artísticas”, afirma Farías, lembrando a mostra “A Literatura no Cinema”. “É um convite para que as pessoas pensem no diálogo entre as duas linguagens. Quando está num filme, a literatura se torna outra coisa; quando o cinema se vale de um texto literário, aquela presença fica marcada”, defende.

Para Farías, o FLI-BH busca criar condições para que a população participe da cultura escrita. “Um evento, isoladamente, não forma leitores, mas promove encontros e trocas ue contribuem para que falemos e pensemos sobre literatura”, conclui.

Serviço: II FLI-BH. De quinta-feira (14) a domingo (17), no Centro de Referência da Juventude (Praça da Estação, s/n, Centro). Entrada franca. Programação completa em www.flibh.com.br.