Agora distante dos palcos, o bibliotecônomo Fred Catarino – que foi integrante de quatro bandas do cenário alternativo de Belo Horizonte nos anos 2000 – revisita suas memórias em “Mim Nas Gerais – Underground BH 2000 – 2005”, obra que ele disponibiliza em e-book e na versão impressa, no formato zine.

Lançado e produzido de forma independente, a obra é um mergulho no acervo pessoal de Catarino, reunindo documentos, recortes de jornal, informações e fotos pessoais que dão conta de parte da história da música underground produzida na capital.

O recorte temporal, não foi por acaso, explica ele. “Esse foi um período muito peculiar da história. Estavam acontecendo grandes mudanças, o digital ganhava força, os instrumentos musicais começaram a ficar mais baratos”, exemplifica.

O músico ressalta também sua vivência como justificativa para a seleção do arquivo, já que no período ele integrava as bandas Sem Comprovante de Renda, Mata Borrão, A Casa e El Dia De Los Muertos. “Participei também da produção de vários eventos e passei por vários estilos nas bandas em que fui integrante. Eu transitei por várias cenas do underground”, conta.

Justamente por reunir o acervo documental e registros pessoais de Catarino, a obra é divida em duas partes. “Na primeira parte trato das mudanças na forma de produção e de consumo do underground, depois entro naquilo que chamo de olho do furacão, porque falo da minha vivência”, explica.

Catarino ressalta que, apesar do acervo pessoal, o trabalho dá conta dos principais acontecimentos do período. “Acho que existem três peculiaridades principais da época. Uma delas, foi o Movimento dos Sem Palco (MSP), que reuniu artistas alternativos de BH com iniciativas para conseguirem espaço para lançarem seus trabalhos. A questão das rádios alternativas e piratas também foi bem legal. Elas tinham um alcance muito grande e um conteúdo muito alternativo e o começo dos selos alternativos. Além disso, foi um período de grandes transformações como a popularização do YouTube, MySpace, entre outras”, exemplifica.

Outro detalhe destacável do projeto é a escolha de diagramar o livro, na versão impressa, no formato zine, o que, como assume Catarino, é uma forma de também carregar a essência do tema em que a obra orbita. “Esse era um formato de publicação impressa independente da época, que acabou perdendo espaço quando surgiram os blogs. Eu quis resgatar essa cultura”, justifica.