Em um período geral de aperto de cintos, a Prefeitura de Belo Horizonte fez cortes em todos os setores. Na Fundação Municipal de Cultura (FMC), o orçamento para investimentos ficou 25% menor, caindo de R$ 38 milhões para cerca de R$ 28,5 milhões.

Naturalmente, todos os programas culturais da cidade sofreram algum tipo de ajuste orçamentário, como o Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT BH), previsto para maio. O corte, para este evento, foi de 30%. “Estamos negociando com os grupos uma redução no cachê e todos os que já contatamos entenderam a situação. Também estamos contando com parcerias, como a com o Consulado da Espanha e a Embaixada da França. O problema maior foi o aumento exorbitante do euro. As passagens encareceram muito”, conta o presidente da FMC, Leônidas de Oliveira.

Mesmo com os cortes, o número de atrações internacionais deve ser um dos maiores da história do evento bienal, que chega à sua 13ª edição. Até o momento, nove grupos de fora já foram contratados e outros cinco estão em negociação. “O objetivo é trazer pelo menos um grupo de cada continente”.

Escola de artes

Vencedora do Prêmio Internacional CGLU – Agenda 21 da Cultura, a Escola Livre de Artes (ELA, antiga Arena da Cultura) também sofreu um grande corte. O orçamento, que era de R$ 4 milhões em 2015, caiu para R$ 2,17 milhões este ano. Consequentemente, as aulas que eram ministradas nos postos do BH Cidadania foram interrompidas e 27 pessoas, demitidas. As aulas permanecem nos centros culturais e no Núcleo de Formação e Criação Artística e Cultural, localizado no Edifício Central, na Praça da Estação.

Mas Leônidas garante que tem conseguido, junto à Prefeitura e a outras secretarias, uma reposição da perda orçamentária. Um exemplo disso foi R$ 1 milhão que veio da Prefeitura para a reforma do segundo andar do Edifício Trianon, na rua da Bahia, para que possa abrigar a sede da ELA. A inauguração deve acontecer daqui algumas semanas.
“Estamos em negociação com a Secretaria de Políticas Sociais para que dois programas deles, um para idosos e outro para adolescentes, possam ser realizados pela Escola Livre de Artes”, diz Leônidas. Segundo ele, a intenção é convencer a Prefeitura de que vários projetos de diferentes secretarias podem passar pela ELA, de maneira mais organizada.

Fórum sobre arte e cultura traz palestrantes de dez países

Outra novidade é que a ELA irá capacitar 270 monitores e educadores que atuam nas escolas municipais que oferecem ensino integral. “Eles serão multiplicadores do conceito criado pela ELA. Se cada um deles tiver contato com cem crianças, por exemplo, a metodologia vai alcançar 2.700 pessoas”, diz Leônidas, acrescentando que a intenção é capacitar 4 mil monitores nos próximos anos.

Um passo importante também será dado pela ELA em abril, mais precisamente entre os dias 26 e 29, no Teatro Francisco Nunes e na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes. Trata-se da realização do Fórum Mundial de Formação em Arte e Cultura, que irá trazer para a capital profissionais das mais diferentes áreas da cultura e educação. Até o momento, a lista de palestrantes está relacionada a cerca de dez países.

Como é um evento feito por uma escola livre, não há público-alvo bem definido, segundo o presidente da FMC. “É diretriz da escola estar aberta para qualquer pessoa que tenha interesse por cultura e educação”.

Protesto

Mesmo que a fundação esteja buscando novas fontes de recursos, os cortes feitos na ELA não foram bem recebidos por alguns professores e alunos. Uma página chamada Salve o Arena / Escola Livre de Artes foi criada no Facebook e tem mais de 450 curtidas.

“Quais os medos para o futuro? De que o projeto seja cada vez mais sucateado, nesse cenário de crise que deve demorar, a ponto de perder todas as conquistas que já obteve”, afirma o criador da página, um aluno da ELA que prefere não se identificar.

Um grupo de pessoas teria tentado chamar a atenção de vereadores da comissão responsável pela cultura na Câmara Municipal, mas sem resposta.