“A sensação da favela saiu pra romper fronteiras”, cantou Anitta no reggaeton “Machika”, lançado em janeiro deste ano. A afirmação pode ser entendida tanto como autorreferência, já que a cantora é uma das principais do cenário atual da música brasileira, quanto um apanhado sobre os rumos tomados pelo funk carioca nos últimos anos. 

Realidade no Brasil – entre as 50 canções mais executadas no Spotify, 14 pertencem ao estilo – o ritmo brazuca tem se tornado cada vez mais internacional. Somente nesta plataforma de streaming, o consumo do gênero lá fora cresceu mais de 3 mil por cento entre 2016 e 2018, principalmente em países como Estados Unidos, Portugal, nos vizinhos Argentina e Paraguai e também no Reino Unido. 

 

 

"O funk brasileiro já é um verdadeiro fenômeno. Principalmente nos últimos 2 anos, o gênero quebrou barreiras e fronteiras, deixando o Rio de Janeiro e se expandindo para o Brasil todo e para o mundo. E a grande parceira de artistas como Anitta, MC Kevinho, MC Fióti e Ludmilla, é a internet, mais precisamente o Spotify e os serviços de streaming de música, que permitiram que esse fenômeno se expandisse para fora do Brasil"
Roberta Pate
Gerente de Marketing com Artistas e Gravadoras do Spotify para América Latina e Estados Unidos hispânico

Um dos maiores nomes do funk no Brasil e no mundo, o carioca Dennis DJ, que figura em sétimo lugar no Top 10 das canções do gênero mais executadas na história do Spotify, acredita que a expansão do ritmo é um movimento natural e merecido. 

“Agora o mundo está mais eclético. O preconceito (ao estilo) ainda existe, mas a internet tem ajudado muito a dar voz a quem não tinha. Os artistas não dependem mais só da TV”, declara Dennis, que cita como exemplo a funkeira Jojo Toddynho, que alcançou o estrelato pela web. 

Produtor musical, o DJ coloca a profissionalização como outro fator favorável à popularização do estilo. No entanto, credita o êxito ao próprio funk. “A batida é a maior força do ritmo. Mas é claro que uma Anitta colabora bastante na divulgação. Depois que o funk saiu da caixinha e se expandiu para mais artistas, cresceu também. Há mais pessoas produzindo, gente pensando em coisas novas”, argumenta. 

 

 

Embora esteja atraindo cada vez mais o interesse de artistas internacionais, inclusive por meio de parcerias, Dennis reforça as raízes do gênero. “A nossa música é 100% Brasil. Hoje, o funk brazuca tem pouquíssimas influências daquele que o inspirou há anos. É o ritmo mais brasileiro que temos depois da Bossa Nova”, acredita.

 


Sem rótulos

O reconhecimento do estilo por outros países tem gerado parcerias e, muitas vezes, misturas de ritmos. Exemplo desse “caldeirão” é o remix de “Bum Bum Tam Tam”, que reuniu o brasileiro MC Fioti ao colombiano J Balvin e ao rapper norte-americano Future. “Tem acontecido no mundo o que já aconteceu no país. O funk está ocupando seu lugar de direito”, expõe Dennis DJ.

 

 

"A curadoria das playlists do Spotify é fundamental para esse fenômeno chamado funk e para a internacionalização do gênero. Ao todo são 13 playlists criadas pelo Spotify 100% dedicadas ao funk, que mostram aos milhões de usuários do Spotify pelo mundo que existem diversos artistas aos quais eles talvez não tenham acesso tão fácil. E isso funciona muito bem. O usuário espera essa curadoria e quer saber o que o Spotify pode mostrar de novidade para ele"
Bruno Telloli
Líder Editorial do Spotify Brasil

Por aqui, uma das constantes é a mistura entre o funk e o sertanejo. E Dennis DJ foi quem deu pontapé inicial. Em 2016, o produtor foi o primeiro a apostar na união dos estilos, lançando a música “Louca Louquinha”, parceria com a dupla João Lucas & Marcelo. “O funk nunca teve preconceito com ritmo nenhum. Eu sempre gostei de fazer misturas, desde ‘Cerol Na Mão’, do Bonde do Tigrão”, lembra. 

Funk Spotify

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