Quando integrantes de um coletivo artístico anunciam uma “pausa”, logo se pensa em vários tipos de desacordos – do convívio em grupo, ao caminho a ser tomado. Não foi o caso do Grupo de Teatro Invertido, que, depois de dois anos sem apresentar um novo espetáculo, retorna aos palcos com o projeto “Teatro Insurgente – Mostra de Solos”.
 
Nesta volta, eles aparecerão separados em cena, cada um fazendo um solo diferente. Mas, como explica Rita Maia, atriz e fundadora do grupo, todos os trabalhos surgirão dentro de uma estrutura coletiva. A primeira apresentação será nesta quinta, na Sala Solo do Galpão Cine Horto, com o espetáculo “Ciclos”, idealizado por Rita e dirigido por Juliana Pautilla.
 
“A nossa pausa teve a ver com o momento do país em 2016. Na época, elegemos como tema a crise, que poderia ser política, financeira ou social. Começamos a pesquisar individualmente, já pensando num novo espetáculo. Mas o que cada um encontrou era tão potente que entendemos que tínhamos que preservar em caráter solo”, observa Rita.
 
“Ciclos” abre o projeto porque já era “algo que estava pulsando” na vida da atriz, que põe no espetáculo um acontecimento pessoal real: a tentativa de ser mãe após os 40 anos. “Hoje tenho 44, mas quando engravidei pela primeira vez tinha 41. Foram três gravidezes e três abortos espontâneos. Estava com uma ferida aberta que precisava pôr no palco”.
 
Apesar do tom pessoal, Rita registra que o subverteu ao juntar performance, dança e uma narrativa não-linear. “Trabalhamos a dramaturgia a partir de um corpo em crise que se afirma e se reafirma, que constrói e se reconstrói”.
 
Serviço: “Ciclos”. De quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h. Na Sala Solo do Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3613 – Horto). Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)