Você é o que lê. A afirmação que dá título ao projeto que reúne o comediante Gregório Duvivier, a atriz e diretora Maria Ribeiro e o jornalista Xico Sá em Belo Horizonte, diz muito sobre o tom da conversa liderada pelo trio de escritores.

Com o objetivo de aproximar o público da literatura, a conversa acontece em tom descontraído, pautando também a relação literária com questões do cotidiano como futebol, política e redes sociais. “Muitas vezes ela é vista como algo hermético, como algo distante. A ideia do ‘Você é o que lê’ é trazer as pessoas para perto da literatura, mostrar como ela fala do mundo em que elas vivem e como ela pode ajudar a transformar esse mundo”, explica Duvivier. 

O projeto nasceu em 2016 e no ano seguinte tornou-se itinerante. “Depois de passar por livrarias, bares, teatros e escolas de todas as regiões do país, levamos o nosso evento a shoppings e centros culturais da periferia, para todos os públicos e classes sociais”, conta Xico Sá. Ele explica que a intenção é promover uma discussão que aconteça de forma livre, “sem a chatice da obrigação escolar ou a solenidade acadêmica”. 

A importância da conversa, inclusive, é reforçada pelo próprio cenário brasileiro. “Estamos em um momento muito perigoso para a leitura, porque acho que as pessoas têm lido pouco e muito mal sobre tudo. Mais do que um problema de quantidade de leitura é a qualidade da leitura. Não exatamente a qualidade do que você lê, mas a qualidade do leitor. Temos um problema muito sério no Brasil de interpretação de texto”, observa Duvivier. “As pessoas leem bastante, leem muito a Bíblia, mas não entendem. Tem lá no Novo Testamento sobre oferecer a face e o amor ao próximo, mas acham que é para matar bandido. Não tem isso em lugar nenhum”, reforça. 

Apesar das dificuldades encontradas com o público leitor, Xico Sá ressalta a qualidade da produção nacional. “Temos uma literatura fortíssima, mas o universo de leitores é pequeno por causa da tragédia da educação brasileira. Mas de autores, não podemos nos queixar”, diz[INTERTITULO].

Indicações

Se o projeto se propõe a colocar em pauta a paixão pela literatura, os lideres do bate-papo, leitores ávidos declarados, também deixam suas indicações. “No momento estou lendo muito Rubem Fonseca, um gênio. É impressionante como tudo da violência urbana Brasileira está nos seus contos dos anos 1970 e 80 e o poder profético da literatura”, diz Sá.

Falando em poder, a atriz e diretora Maria Ribeiro reforça a importância da luta pela literatura, principalmente no contexto sociopolítico atual do país. “Ela e a educação andam juntas. Militar pela literatura é militar pela educação. A informação dos livros, seja do romance ou do livro de história, te dá poder para ser um cidadão, para votar e para exigir seus direitos”, sublinha. 

Serviço: “Você é o que lê”, com Gregório Duvivier, Maria Ribeiro e Xico Sá, às 19h30 no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244). R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia)