É possível fazer rir e assustar ao mesmo tempo? Para o Grupo Trampulim, a tarefa é moleza. Prova disso é o espetáculo “Acorda”, 18ª montagem da trupe, que estreia amanhã, no CCBB-BH, com sessões extras no sábado e no domingo. Com direção de Paula Manata e dramaturgia de Assis Benevenuto, a peça se debruça sobre a estética do terror, descortinando os temores do cotidiano de uma casa e da imaginação de quem nela habita.

No elenco, Adriana Morales (Benedita Jacarandá), Chaya Vazquez (Conselhos), Poliana Tuchia (Socorro) e Tiago Mafra (Sabonete) habitam um lar não tão doce. O tempo é dividido em cenas coletivas e individuais, enquanto Rafael Protzner assume as pausas, fazendo a assistência de direção.

“Somos quatro palhaços em cena, sendo um deles, um cachorro. O espetáculo mostra fragmentos da vida desses palhaços que dividem a mesma casa, mas têm espaço e tempo próprios”, conta Poliana Tuchia. “A organização hierárquica ou familiar dos palhaços é uma proposição subjetiva, aberta à interpretação do público. Trabalhamos um humor muito distinto do que vínhamos mostrando nos últimos anos”, completa.

Tuchia conta que, desde 2012, os integrantes do Trampulim compartilhavam da vontade de ver como o palhaço encara o universo do terror. “Quando começamos a pesquisar autores e referências, nos deparamos com nossos próprios medos e pesadelos. E muitos deles faziam parte da rotina, da loucura do dia a dia”, diz Tuchia.

“Não abandonamos o susto, mas entendemos que o terror pode vir de onde menos se espera. Se você quer fazer xixi, está muito apertado, mas não tem um banheiro, isso pode ser aterrorizante”, brinca.

Público adulto

Poliana Tuchia conta que, também pela primeira vez, o Trampulim se volta para o público adulto. “Não é proibido para crianças, mas sabemos que um espetáculo começa realmente a se desenvolver a partir do olhar do público. Então, escolhemos partir do olhar do adulto”, pontua.

Além da estética, outra especificidade de “Acorda” é o formato enxuto. “Queríamos um espetáculo que coubesse num carro e que tivesse uma linguagem universal. É uma ideia oposta ao ‘Manotas Musicais’, que tinha uma tonelada de carga, entre cenário e tambores”, afirma.

Ponto forte do Trampulim, o diálogo direto com a música, porém, não deixa de estar presente. “Convidamos o Rafael Macedo para compor a trilha, que casou muito bem com a ambientação. Uma mistura de suavidade com incômodo. Um despretensioso suspense”, afirma Tuchia, ressaltando a importância da direção e da dramaturgia no resultado final.

“As linhas de trabalho e metodologias do Trampulim e da Paula se complementaram num processo muito colaborativo. E o Assis veio em um momento do roteiro em que estávamos travados numa concepção. Ele nos trouxe a segurança de que um caminho às vezes nebuloso não é necessariamente ruim”, finaliza.

Serviço: Grupo Trampulim estreia “Acorda”. Amanhã, sábado e domingo, às 19h, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). Classificação indicativa: 12 anos. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)