O premiado poeta mineiro Iacyr Anderson Freitas já havia escrito sobre as durezas da vida em outras publicações, a exemplo de “Ar de Arestas” (2013). No entanto, não esperava que, pouco tempo depois, passaria a ter tanta propriedade para falar do assunto. Os últimos anos não foram fáceis. Ele afirma que “ficou fora de combate” depois de passar por duas cirurgias complicadas, perder o pai e, em seguida, a irmã. A dor passou a ser uma constante.

Das tristezas profundas, porém, o autor fez novos versos, que, a partir dessa quinta-feira, poderão ser apreciados em “Estação das Clínicas” (Editora Escrituras, 80 páginas, R$ 35). O livro será lançado às 19h30, no Espaço Cultural Letras e Ponto, em Belo Horizonte.

O livro foi subdividido em três blocos: “Pré”, “In” e “Pós”, em alusão às passagens de pacientes por hospitais. “Muitos poemas surgiram do convívio hospitalar, um ambiente que, até então, eu não conhecia muito”, explica. Mesmo o tema partindo da biografia do autor, vale destacar que são muitas as vozes presentes na obra. “Tarja Preta”, por exemplo, é narrado da perspectiva de uma mulher.

Pitadas de ironia e humor
Apesar do tom trágico, Freitas afirma que há também um humor negro, como em “Camilinho, acamado”, no qual o personagem vai ao médico e descobre ter gases. “Até para sofrer / lhe falta / sustância”, diz um trecho do poema.

Do começo ao fim, a via crucis. A metáfora foi encontrada pelo escritor Luiz Ruffato, que assina a contracapa e a introdução do livro. Para Ruffato, “Estação das Clínicas” “reencena a Paixão” de Jesus Cristo, ao colocar o hospital como “síntese do sofrimento físico e da dor transcendental”. 

A leitura do autor surpreendeu Freitas, que não havia percebido similaridade entre a caminhada dolorosa de Cristo e a dos personagens que construiu. “A reflexão maior se dá texto a texto, palavra por palavra, considerações que me são caras e especiais”, considera o poeta, radicado em Juiz de Fora e com publicações e prêmios em vários países.

Serviço: Lançamento do livro “Estação das Clínicas”, de Iacyr Anderson Freitas. Espaço Cultural Letras e Ponto (rua dos Aimorés, 388, sala 501/502, Funcionários).