Já se vão dez anos desde que Irene Bertachini começou a compor e a se apresentar como cantora. De lá para cá, foram três discos solo e um com o Coletivo A.N.A, além outras tantas empreitadas artísticas. A mineira apresenta nesta quarta-feira (28), no Idea Casa de Cultura, um apanhado dessa primeira década de experiências. Intitulado “Redemoinho”, o show traz músicas de diferentes fases da carreira e conta com participações especiais de outras cantoras e parceiras das Gerais.

Dando voz às imagens poéticas da cultura popular e da canção contemporânea brasileira, Bertachini lançou, no ano passado, o álbum “Revoada”, em parceria com o compositor e instrumentista Leandro César. Gravado em Portugal, o disco sucede o elogiado “Irene Preta, Irene Boa” (2013), que marcou o nome da cantora no cenário da música independente de BH. Entre os dois trabalhos, surgiu, ainda, o Coletivo A.N.A. (Amostra Nua de Autoras), do qual Bertachini é uma das idealizadoras, produtoras e assina a direção artística do disco, homônimo, lançado em 2015. 

No show “Redemoinho”, a cantora vai misturar músicas dessas três fases, além de novidades. “É como se fosse uma retrospectiva, uma forma de olhar para essa carreira construída ao longo dos últimos dez anos”, conta a cantora, explicando que a apresentação só não abarcará músicas de seu primeiro trabalho, com o grupo Urucum na Cara. 

“Também farei algumas canções novas e outras com a participação de cantoras com as quais já trabalhei. Uma delas é a Claudia Manzo, com quem estreei, no festival Sonora, um show chamado ‘El Mismo Cielo’. Minha família é espanhola e ela é chilena, então juntamos essas raízes com muita força musical”, continua a cantora, ressaltando que as outras convidadas são Deh Mussulini e Luana Aires, ambas parceiras do Coletivo A.N.A

Bertachini aponta diferenças entre seu primeiro disco solo e o trabalho mais recente. “As canções de ‘Revoada’ estão mais amadurecidas. Abordo temas do feminino, de uma busca pessoal, de forma mais densa, profunda, melancólica. É um disco mais amargo, em que eu encaro os meus demônios”, explica. “Já ‘Irene Preta’ tem uma candura, uma coisa bem doce. Que ainda existe em mim, claro. Afinal, meu trabalho é muito autobiográfico. Mesmo quando trato de temas sociais, coloco os meu sentimentos frente a essas questões. E é bonito perceber como podemos tocar as pessoas com as nossas próprias vivências”, conclui. 

Serviço: Irene Bertachini apresenta "Redemoinho". Terça-feira (28), às 20h30, no Idea (R. Bernardo Guimarães, 1.200 – Funcionários). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).